Acordo dará à Sanofi a propriedade tanto de um medicamento já aprovado quanto de um pipeline de imunologia em estágio inicial, disseram as empresas
A Sanofi concordou em adquirir a Blueprint Medicines por até US$ 9,5 bilhões, sendo essa a maior movimentação da farmacêutica francesa até agora para reforçar seu pipeline de medicamentos desde que vendeu uma participação majoritária em sua divisão de produtos de saúde para o consumidor.
Esse é o terceiro acordo da Sanofi neste ano, enquanto a gigante farmacêutica busca renovar seu portfólio após alguns de seus programas internos de desenvolvimento decepcionarem em testes clínicos. Executivos da empresa sinalizaram, em uma ligação nesta segunda-feira (2), que mais aquisições podem acontecer.
A Sanofi assinou um acordo para vender uma participação de controle na sua unidade de saúde para o consumidor, a Opella, para a Clayton Dubilier & Rice em fevereiro, e concluiu a operação no início de maio.
A venda fez com que a empresa passasse a focar mais em medicamentos inovadores, mas também se tornasse mais dependente do medicamento anti-inflamatório de grande sucesso Dupixent. A droga, desenvolvida em parceria com a Regeneron Pharmaceuticals — com quem compartilha os lucros —, representou mais de um terço das vendas líquidas da Sanofi no primeiro trimestre.
O acordo com a Blueprint, empresa especializada em doenças imunológicas com sede em Cambridge, Massachusetts, dará à Sanofi a propriedade tanto de um medicamento já aprovado quanto de um pipeline de imunologia em estágio inicial, disseram as empresas. A Sanofi também pretende reforçar seu portfólio de imunologia com a presença consolidada da Blueprint entre alergistas, dermatologistas e imunologistas.
O acordo vem na esteira da notícia da semana passada de que um medicamento desenvolvido em conjunto pela Sanofi e pela Regeneron não atingiu o objetivo principal em um ensaio de fase avançada. Em fevereiro, a Sanofi anunciou que encerraria um teste de vacina contra E. coli realizado com a Johnson & Johnson, após a candidata à vacina ter sido considerada insuficientemente eficaz.
O diretor-presidente da Sanofi, Paul Hudson, disse que a aquisição da Blueprint vinha sendo preparada há muito tempo, com o trabalho tendo começado bem antes da atualização da semana passada. “Tivemos um ano um pouco turbulento em termos de resultados clínicos”, afirmou.
O principal motivador da aquisição foi o Ayvakit, da Blueprint, um medicamento aprovado nos EUA e na União Europeia para o tratamento da doença rara de imunologia mastocitose sistêmica, segundo Hudson.
O Ayvakit gerou receitas líquidas de US$ 150 milhões no primeiro trimestre, e a Blueprint estimou anteriormente que o pico anual de vendas do medicamento pode chegar a US$ 2 bilhões. Analistas consultados pela Visible Alpha preveem que a receita do Ayvakit atinja US$ 2,35 bilhões em 2033.
A Blueprint também tem um candidato a medicamento para mastocitose sistêmica, o elenestinibe, em estudos de fase intermediária e avançada, além de outro medicamento experimental em fase inicial de desenvolvimento com potencial para tratar uma ampla gama de doenças imunológicas, disseram as empresas.
Na semana passada, a Sanofi concluiu a compra de um candidato a medicamento de imunologia em estágio inicial da Dren Bio por até US$ 1,9 bilhão e, em maio, concordou em adquirir a Vigil Neuroscience por cerca de US$ 470 milhões, adicionando um novo tratamento experimental para Alzheimer ao seu pipeline.
“A Sanofi ainda mantém uma capacidade significativa para novas aquisições”, disse Hudson.
A Sanofi concordou em pagar US$ 129 por ação em dinheiro no fechamento, além de um direito de valor contingente que dará aos acionistas da Blueprint até US$ 6 adicionais por ação, dependendo do cumprimento de certos marcos regulatórios e de desenvolvimento, disseram as empresas. O preço máximo representaria um prêmio de 33% em relação ao preço de fechamento da Blueprint na Nasdaq na sexta-feira.
A expectativa é que a aquisição seja concluída no terceiro trimestre, sujeita às condições habituais de fechamento.
A Sanofi espera que o acordo seja imediatamente positivo para sua margem bruta e que seja também positivo para seu lucro operacional e lucro por ação a partir de 2026, segundo comunicado.
Fonte: Valor Econômico