A Rússia está preparada para a nova realidade de um mundo sem limites de controle de armas nucleares entre os Estados Unidos e a Rússia após o vencimento do Tratado Novo START esta semana, afirmou nesta terça-feira (03) o porta-voz de Moscou para o controle de armas.
A menos que os dois lados cheguem a um entendimento de última hora, ficarão sem quaisquer restrições aos seus arsenais nucleares estratégicos de longo alcance pela primeira vez em mais de meio século, quando o Tratado Novo START expirar na quinta-feira.
“Este é um novo momento, uma nova realidade – estamos preparados para isso”, disse o vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Ryabkov, responsável pelas questões de controle de armas, a agências de notícias russas durante uma visita a Pequim para “consultas sobre estabilidade estratégica”.
O Tratado Novo START, que limita o número de ogivas nucleares estratégicas implantadas a 1.550, foi assinado em 2010.
Em declarações ao New York Times no mês passado, o presidente dos EUA, Donald Trump, indicou que deixará o tratado expirar. Mas ele não respondeu formalmente à proposta russa de continuar observando os limites de mísseis e ogivas do tratado por mais um ano, para que haja tempo para definir o que fazer após o término do pacto.
“A falta de resposta também é uma resposta”, disse Ryabkov, citado pela agência TASS em Pequim.
Os defensores do controle de armas em Moscou e Washington afirmam que o fim do tratado não apenas removeria os limites para ogivas, mas também prejudicaria a confiança e a capacidade de verificar as intenções nucleares. Alguns temem uma corrida armamentista nuclear desenfreada.
Controle de armas em desmoronamento
A rede de acordos criada após a Crise dos Mísseis de Cuba, em 1962, para reduzir os riscos de uma guerra nuclear, desmoronou gradualmente, com o aumento do confronto entre Moscou e o Ocidente em relação à Ucrânia e a preocupação dos EUA com a China.
Os EUA sugeriram que a China, a terceira maior potência nuclear do mundo em número de ogivas, deveria participar das negociações sobre controle de armas. Pequim não demonstrou nenhuma disposição para fazê-lo.
Ryabkov afirmou que a China tinha uma posição clara sobre o controle de armas e que Moscou a respeitava.
O ex-presidente dos EUA, Barack Obama, que assinou o Tratado Novo START em 2010 com o então presidente russo Dmitry Medvedev, instou o Congresso americano a intervir.
“Se o Congresso não agir, o último tratado de controle de armas nucleares entre os EUA e a Rússia expirará”, disse ele no X.
“Isso destruiria décadas de diplomacia sem qualquer propósito e poderia desencadear uma nova corrida armamentista que tornaria o mundo menos seguro.”
Medvedev disse que o mundo deveria se alarmar se o tratado expirasse sem que se entendesse o que aconteceria a seguir, sugerindo que isso aceleraria o “Relógio do Apocalipse”.
Ryabkov afirmou que, se os EUA instalassem sistemas de defesa antimísseis na Groenlândia, um território autônomo da Dinamarca, membro da OTAN, a Rússia teria que tomar medidas militares para compensar.
Fonte: Valor Econômico


