Grupo hospitalar prevê investir R$ 8,8 bilhões em novos leitos até 2027, antes o prazo era 2025
Por Beth Koike — De São Paulo
02/06/2023 05h02
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Diante da alta taxa de juros que está encarecendo o custo do capital para investimento, a Rede D’Or está postergando sua expansão operacional. Inicialmente, o grupo hospitalar planejava investir R$ 8,8 bilhões na abertura de 5,8 mil novos leitos até 2025. Agora, o prazo foi estendido para 2027, quando os juros devem estar em patamares menores.
Neste ano, o investimento em crescimento operacional será de R$ 1,7 bilhão, o que representa uma queda de 30% sobre a projeção inicial, com a inauguração de mil leitos frente os 1,4 mil previstos antes. Em 2024, a quantidade de novas unidades de internação diminui para cerca de metade com um investimento caindo de R$ 4,8 bilhões para R$ 2,5 bilhões, o que traz “relevante alívio de fluxo de caixa para o ano, o que é um dos principais riscos para nossa tese”, informa trecho do relatório do Goldman Sachs.
Mas em 2025, o número de leitos e os recursos voltam a subir. Entre 2026 e 2027, serão 1,8 mil novos leitos com investimentos de R$ 2,5 bilhões na expansão.
Houve ainda um aumento no volume de projetos sem data definida para entrega. Antes, eram nove hospitais e, atualmente, há 16 projetos no Rio de Janeiro e Sul do país com indefinição de prazos para inauguração.
Entre os hospitais que tiveram as obras prorrogadas estão as unidades localizadas em Guarulhos, Taubaté e Santos (em São Paulo) e na Barra (Rio). O hospital Macaé, em Recife, terá sua entrega antecipada.
Para os analistas e investidores que acompanham a Rede D’Or a prorrogação é positiva, apesar da queda na receita, uma vez que reduzirá a alavancagem. No primeiro trimestre, o endividamento da companhia era equivalente a 2,7 vezes o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda). A dívida líquida ficou em R$ 15 bilhões, considerando o endividamento da SulAmérica, adquirida pelo grupo hospitalar.
Nesta quinta-feira, a ação da companhia encerrou o dia com alta de 4,21%, cotada a R$ 30,22. O Ibovespa subiu 2%.
“À primeira vista, vemos o adiamento de vários projetos como “prudente” nas condições atuais do setor (ou seja, pressão financeira das operadoras de planos de saúde) e ambiente de juros altos. Embora, naturalmente, não seja um bom presságio para as perspectivas da receita da empresa, deve ajudar a melhorar a alavancagem de curto prazo e as tendências de ganhos”, destacam os analistas Leandro Bastos e Renan Prata, do Citi.
“O alto custo de capital e a desafiadora situação financeira dos planos de saúde desaceleraram significativamente os planos de expansão de diversos players do setor de saúde brasileiro, tanto em termos de crescimento orgânico quanto de aquisições”, complementou o Itaú BBA.
O Goldman destacou que a principal surpresa foi a postergação na expansão de leitos de hospitais já operacionais (‘brownfield’), que demanda um custo menor quando comparada a investimentos em novos projetos (‘greenfield’).
Do investimento de R$ 8,7 bilhões previsto para o período de 2023 a 2027, R$ 2,6 bilhões são destinados a projetos erguidos do zero; a outra fatia de R$ 6 bilhões é para aumento de capacidade da operação existente. Atualmente, a Rede D’Or possui 72 hospitais que, juntos, têm 9,5 mil leitos operacionais, com uma taxa de ocupação de 78,5%. O grupo tem mais 2 mil leitos que ainda não foram abertos.
Fonte: Valor Econômico