Por Stella Fontes — De São Paulo
02/05/2023 05h01 Atualizado há 5 horas
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O movimento de correção dos preços do minério de ferro se acentuou nos últimos dez dias de abril, levando a commodity para perto dos US$ 100 por tonelada no mercado à vista, o menor nível em cinco meses. Os contratos futuros mais negociados em Cingapura chegaram a romper essa marca no início da semana passada, mas se recuperaram. O petróleo teve movimento parecido, mas conseguiu fechar o mês com pequena alta. Nas últimas duas semanas do mês o petróleo caiu após dados da China reacenderem temores sobre a recuperação do país, o maior importador mundial da commodity.
No norte da China, o minério com teor de 62% de ferro teve desvalorização mensal de 16,3% e era negociado a US$ 106,50 por tonelada na sexta-feira (28), segundo o índice Platts, da S&P Global Commodity Insights. No ano, a baixa chegou a 9,3%. Na Bolsa de Commodity de Dalian (DCE), os contratos mais negociados, com entrega em setembro, recuaram 1% na sexta-feira, para 714 yuan (US$ 103,12) por tonelada.
A temporada mais forte para a atividade de construção na China começou no mês passado, mas em ritmo lento, reacendendo os temores de que a demanda local de aço, e consequentemente a de sua principal matéria-prima, seguirá em rota de acomodação neste ano.
A taxa de ocupação de altos-fornos em 247 siderúrgicas chinesas que são regularmente acompanhadas pela Mysteel caiu pela segunda semana consecutiva, para 90,63% até 27 de abril. Com base em fontes do setor, a consultoria informou que a queda de 0,87 ponto percentual no índice reflete o maior número de usinas que reduziram suas operações para não operar com margens negativas.
No Julius Baer, a percepção é a de que, entre os metais, o minério tem os fundamentos mais fracos devido à forte dependência da construção chinesa. “O setor de construção na China enfrenta desafios estruturais relacionados à demografia desfavorável e à desaceleração da urbanização. Tendo esses desafios como pano de fundo, vemos mais risco de queda do que alta nos preços do minério e reiteramos nossa visão cautelosa”, disse em relatório o chefe de pesquisas de próxima geração do banco suíço, Carsten Menke.
Do lado da oferta, a brasileira Vale informou, junto com os resultados do primeiro trimestre, que prevê uma relação apertada entre oferta e demanda da commodity, com maior chance de alta dos preços do que de queda. Para o Goldman Sachs, de um ambiente de superávit, o mundo das commodities passará a um cenário de déficit a partir de julho, dando sustentação aos preços. O banco estimava preço de US$ 135 para o minério em seis meses.
O petróleo ganhou impulso no último dia do mês e conseguiu fechar abril com pequena alta. O barril para julho do tipo Brent, referência global, terminou o mês com alta de 0,75%, cotado a US$ 80,33. O barril do WTI, referência nos EUA, para junho subiu 1,44% no mês, terminando cotado a US$ 76,78. Na semana passada, no entanto, o Brent acumulou queda de 1,39% e o WTI caiu 1,44%.
As duas referências voltaram a registrar queda nesta segunda-feira (1). O barril do Brent para julho fechou em queda de 1,27%, a US$ 79,31. Já o WTI para junho caiu 1,46%, cotado a US$ 75,66 o barril. As explicações para desvalorização do início desta semana são as preocupações com a economia chinesa e a expectativa de novo aperto monetário. O banco central americano (Fed) se reúne na quarta-feira (3) e o Banco Central Europeu tem encontro marcado para quinta-feira (4). Nos dois casos a expectativa é de alta de 0,25 ponto percentual nas suas taxas de juros.
A alta das cotações do petróleo verificadas logo após a decisão da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e seus aliados de reduzir a oferta não se manteve. “Os investidores permanecem cautelosos em meio a sinais econômicos mistos”, afirmam analistas do ANZ Banking Group, em nota. “Um tom hawkish (duro) do Fed pode pressionar (as commodities de) energia e metais”, completaram. (Com Bloomberg)
Fonte: Valor Econômico