Raízen pode receber novos aportes, após injeção de R$ 4 bi, avaliam analistas Fundos do BTG Pactual poderiam participar de uma segunda fase daa capitalização, dizem. Avaliação é que recomposição se dará em recuperação extrajudicial RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 05/03/2026 – 22:25 Raízen realiza reestruturação financeira com aporte de R$ 4 bilhões A Raízen iniciou uma reestruturação financeira com um aporte de R$ 4 bilhões, sendo R$ 3,5 bilhões da Shell e R$ 500 milhões da Cosan. Analistas sugerem que a reestruturação ocorra extrajudicialmente, minimizando perdas para credores. A empresa enfrenta dívidas de R$ 55 bilhões e prejuízo significativo, enquanto acionistas consideram mais aportes para evitar recuperação judicial. A capitalização da Raízen, com aporte de R$ 3,5 bilhões da Shell e R$ 500 milhões da Cosan, é apenas o primeiro passo de uma reestruturação financeira, que segundo analistas consultados pelo GLOBO, deve ser conduzido num ambiente de recuperação extrajudicial, o que traria menos prejuízo aos credores. Só depois será possível saber qual o tamanho da diluição que os controladores terão em suas participações de 44% cada um na Raízen. — Acredito que os R$ 4 bilhões foram apenas um aporte emergencial. Com isso, a empresa sinaliza aos credores e ao mercado que está procurando um mecanismo mais ou menos agressivo para solucionar sua crise. O menos agressivo aos credores é a hipótese de uma recuperação extrajudicial, fato já sinalizado no comunicado da Raízen. E o caminho mais agressivo é uma recuperação judicial — explica André Moraes, sócio do Moraes & Savaget Advogados, especializado em empresas em situação de crise, que avalia o caminho extrajudicial como o mais plausível. Novos aportes No ambiente da recuperação extrajudicial, acredita o advogado, é possível que novos aportes sejam feitos pelos controladores, inclusive dos fundos do BTG Pactual, que haviam abandonado as negociações. Só depois disso será possível saber como ficará a participação de cada acionista, avalia Moraes. — Ao aportar R$ 4 bilhões, os acionistas sinalizaram aos credores que querem dividir com eles as responsabilidades da reestruturação, diferentemente da recuperação judicial. Acredito que até mesmo os fundos do BTG voltem a negociar nesse ambiente, em que também seria decidida qual parte da dívida poderia ser convertida em participação na empresa. Faz todo o sentido partirem para essa saída — explica. Antes do aporte, credores, os principais acionistas, Shell e Cosan, além do BTG Pactual (que é o maior acionista individual da Cosan, embora Rubens Ometto mantenha o controle através de um acordo) não chegaram a um consenso sobre as propostas de reestruturação. Os credores queriam aportes dos controladores de até R$ 25 bilhões. A Shell se dispôs a injetar R$ 3,5 bilhões e queria que a Cosan entrasse com o mesmo valor, o que não aconteceu. A Raízen tem R$ 55 bilhões em dívidas, foi rebaixada por agências de rating, teve prejuízo de R$15,6 bilhões no terceiro trimestre do ano passado, e no mês passado alertou para uma “incerteza relevante” sobre a capacidade de continuar operando. Pressionada por dívidas: Cosan avalia IPO de sua subsidiária Compass Gás e Energia Marcus Valverde, sócio-fundador do MVSA, diz que se a reestruturação incluir a emissão de novas ações ordinárias subscritas de forma não proporcional pelos atuais acionistas haverá tendência de diluição da participação da Cosan no capital social, com aumento da participação da Shell. — Mas em estruturas societárias dessa natureza, aportes desiguais podem ser compensados por outros instrumentos ou acordos de acionistas com o objetivo de preservar, ao menos temporariamente, o equilíbrio de governança e os direitos de voto entre os sócios estratégicos — explica ele. Para Thiago Maroli, do NHM Advogados, o aporte é movimento inicial para a estabilização financeira , mas ainda sem fechar cenários enquanto se discute uma reestruturação mais ampla do passivo com os credores. — Dependendo da estrutura do aumento de capital e de eventuais conversões de dívida em ações, o processo pode levar a uma diluição relativa dos atuais acionistas e alterar o equilíbrio econômico entre Shell e Cosan/Rubens Ometto na joint venture — avalia.
Fonte: O Globo
