Companhia disse que vai destinar economias em custos e “investimentos em competividade”, ou seja, ser mais agressiva comercialmente, entre outros pontos
A Raia Drogasil (RD SaúdeCotação de RD Saúde) teve vendas, margem e resultado final abaixo do esperado, e após admitir números fracos, a direção informou que está seguindo um plano de retomada. A empresa admitiu, pela primeira vez em vários anos, que o consumo no país desacelerou. Historicamente, o segmento de farmácias é mais resiliente à piora do poder de compra da população.
A companhia tem reduzido mais despesas, demitiu pessoal, segundo fontes a par do assunto, realocou equipes, ainda está com novas ações comerciais relativas a preços pontuais mais baratos em certas praças.
A companhia disse que vai destinar economias em custos e “investimentos em competividade”, ou seja, ser mais agressiva comercialmente, terá um calendário mais promocional robusto e está buscando resgatar clientes pela reativação de ações para trazê-los para lojas. Ainda mencionou investimentos em praças com mais retorno e de busca de diminuição de perdas de estoque que tem sentido.
Renato Raduan, CEO do grupo, disse que o consumo está crescendo menos em praças “onde costumava crescer mais”.
“O patamar de crescimento estrutural nesses dois trimestres está sendo menor, e essa expansão menor está centrada em perfumaria e OTC [medicamento sem receita]. Não queremos usar como justificativa porque precisamos recuperar crescimento nos 14%.”
A companhia informou que previa repetir o lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação de 2024 (Ebitda, da sigla em inglês), mas considerando o primeiro trimestre, é pouco provável que isso ocorra, disse o CEO da empresa, a analistas, em teleconferência nesta quarta-feira.
“Alguém acha que é popular ou legal fazer um ajuste de despesas com vendas, gerais e administrativas três meses após novo ciclo? Mas sabemos que faz parte de longo prazo, um investimento maior no curto prazo”, nota.
Apesar dos esforços do comando, analistas reforçaram que o segundo trimestre não deve ser fácil.
Isso porque, por exemplo, o reajuste de medicamentos autorizado pelo governo foi abaixo de outros anos, de 3,9%, além de também existir um novo efeito calendário negativo de abril a junho.
Analistas ainda lembraram que os ajustes em andamento terão custos nas despesas para o segundo trimestre.
Raduan disse que há ações possíveis a compensar esse cenário. Afirmou que haverá investimento de preços cirúrgico e promocional, como ocorreu no Nordeste neste ano, e disse que a chegada do remédio Mounjaro deve elevar vendas, e a empresa é a primeira na venda física do item no país.
Além disso, afirma que o componente de redução de pessoas tende a ser compensando por determinadas eficiências.
Ele também citou um ambiente de preços com menos descontos no mercado, o que tende a ser favorável para margens.
Fonte: Valor Econômico