Para manterem-se competitivas, as lideranças brasileiras precisam investir mais e melhor em formas criativas de integrar a GenAI ao dia a dia corporativo
PorWellington Vitorino
Ferramentas de inteligência artificial (IA) existem há um bom tempo, e mesmo a inteligência artificial generativa, ou GenAI, capaz de não só organizar grandes volumes de dados, como também produzir conteúdo novo, está perto de completar uma década. Ainda assim, a maioria de nós tomou contato com esse universo tecnológico novo e disruptivo há poucos anos, quando o ChatGPT, desenvolvido pela Open AI com investimentos da Microsoft, ganhou as manchetes mundo afora e se popularizou.
A simplicidade e eficiência de uma ferramenta como o ChatGPT fez com que todos entendessem na prática o quanto a IA promete revolucionar nosso cotidiano. “A IA torna as pessoas mais poderosas pessoalmente e profissionalmente”, cravou a respeitada empresa de consultoria Gartner. Em relatório publicado neste ano, ela prevê que até 2027 o valor da produtividade por IA será reconhecido como indicador econômico primário, usado para cálculos macro como o da produtividade média nacional. Ferramentas de GenAI também serão utilizadas em aplicações empresariais legadas e na criação de substitutos apropriados, reduzindo custos de modernização em 70%, ainda segundo a Gartner.
Não por acaso a Nvidia está entre as companhias mais valiosas do mundo, com valor de mercado estimado em quase US$ 3 trilhões. A empresa do taiwanês Jensen Huang começou em 1993 como uma fornecedora de chips para a indústria de games e gradualmente adaptou-se para produzir chips de inteligência artificial, impulsionando ou até viabilizando negócios diversos como os de medicamentos, robótica, data centers e carros autônomos.
O Brasil, infelizmente, está bem atrás dos países mais desenvolvidos no uso da GenAI para melhorar habilidades laborais ou ajudar na resolução de problemas. Creio que essa dificuldade vem do fato de que a inteligência artificial aplicada ao ambiente corporativo é algo novo, muito amplo e a respeito do qual há pouca literatura acessível, didática. Com isso, lideranças que desejam incorporar essa tecnologia aos seus processos, geralmente, não sabem como e por onde começar. Segue-se a isso o fato de que a força de trabalho brasileira, em média, é pouco alfabetizada digitalmente – logo, o desafio de incorporar um recurso sofisticado como a GenAI ao modus operandi das empresas é ainda maior.
Mas há exceções. A Zoox Smart Data é uma datatech brasileira com atuação em mais de 30 países, clientes relevantes como o Metrô de Nova York (EUA) e a Telefónica (Espanha), e que figura atualmente como uma das três maiores concorrentes globais em soluções inteligentes de Wi-Fi e tratamento de dados. Conheci o fundador e CEO da empresa, o carioca Rafael Soares de Albuquerque, no último Fórum de CEO’s do Experience Club. Ele me explicou que a Zoox é uma “booking de dados”, ajudando empresas que possuem muitos dados e não sabem exatamente o que fazer com eles. Seu papel é ajudá-las a aproveitarem plenamente seu potencial, usando IA e aplicações de machine learning para converter um montante disperso de dados em informação de qualidade, que orienta estratégias de negócios.
Qualquer que seja a sua opinião sobre os limites éticos da inteligência artificial – e há, sim, um bom debate a ser feito -, o fato é que as organizações serão impactadas por ela nos próximos anos. Logo, para manterem-se competitivas, as lideranças brasileiras precisam perder o medo desse desafio, investindo mais e melhor em formas criativas de integrar a GenAI ao dia a dia corporativo.
Wellington Vitorino é diretor-executivo do Instituto Four
E-mail: wvitorino@institutofour.org
Fonte: Valor Econômico