Analistas observam que uma das empresas se destaca pela robusta distribuição de dividendos, sendo um diferencial frente a pares do setor
Por Valor Investe — São Paulo
12/07/2023 19h41 Atualizado há 16 horas
Quais ações ligadas ao universo de serviços em saúde valem a pena ser incluídas na carteira de investimentos? Relatórios trazem apontamentos para ajudar o investidor na diligência acerca dos ativos. Veja os detalhes.
Hypera: é hora de comprar
O Citi aumentou o preço-alvo por ação da Hypera de R$ 48 para R$ 51 e reforçou a recomendação de compra para as ações.
O banco atualizou o modelo antes dos resultados do segundo trimestre, elevando marginalmente as estimativas de lucro para 2023 e 2024 em 5% e 3%, respectivamente. Além disso, projeta um lucro líquido de R$ 475 milhões para o segundo trimestre, alta anual de 4%, ou de R$ 436 milhões, excluindo o impacto dos juros capitalizados.
A casa também vê as ações negociando a um múltiplo de preço sobre lucro para 2024 de cerca de 12,2 vezes e rendimentos de dividendos de 3%-4%.
“Concordamos que o caso de investimento pode carecer de catalisadores óbvios no curto prazo, mas a combinação de avaliação barata, tendências de ganhos melhores e preocupações fiscais mais brandas podem continuar a apoiar as ações”, avaliam os analistas Leandro Bastos e Renan Prata.
Mater Dei tem novo preço-alvo
O Santander elevou seu preço-alvo para as ações da Mater Dei de R$ 8,50 para R$ 11,30 e reitera recomendação neutra, com maior projeção de receita refletindo melhor desempenho em Salvador e Betim (MG).
Os analistas Caio Moscardini, Guilherme Gripp e Karoline Correia escrevem que a empresa credenciou mais de 400 mil membros da saúde para potencialmente usar o hospital de Salvador, melhor do que a expectativa inicial, e lançou seu centro médico, o que pode ter papel fundamental na geração de tráfego para o hospital.
Também houve uma melhora no desempenho da unidade de Betim, dizem eles. Como resultado, segundo os analistas, as margens devem expandir mais lentamente no curto prazo, embora para o longo prazo tenham mantido suas projeções de margens em cerca de 29% em 2032.
A projeção para lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) cresceu 3% para este ano, para R$ 622 milhões, dizem os analistas, refletindo a ampliação dos leitos operacionais em Salvador e Betim, maiores taxas de ocupação a médio e longo prazo, e novas estimativas macroeconêmicas.
Os analistas ressaltam que a avaliação não parece barata, especialmente em um cenário que leva em consideração salários mais altos para enfermeiros, justificando a recomendação neutra. Segundo eles, ao incluir custos de enfermagem mais elevados, as estimativas de Ebitda e lucro diminuem 10% e 18%, respectivamente, em 2024, e o potencial impacto negativo pode começar no quarto trimestre deste ano.
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Fleury está bem posicionada
Os analistas Rafael Barros e Raphael Elage, da XP, escrevem que o grupo Fleury está bem posicionado para lidar com as pressões atuais do setor de saúde, como pressão de custos e aumento de preços abaixo da inflação.
“O Fleury tem a vantagem de uma forte marca e de ser um parceiro preferencial para as fontes pagadoras, sendo menos exposto (embora não totalmente imune) ao ambiente atualmente difícil”, afirmam.
A aquisição recente do Hermes Pardini vai trazer sinergias consideráveis nos próximos cinco anos, podendo chegar a 10% do Ebitda em 2028, mas veem que as ações já precificaram esse potencial, estando com múltiplos justos.
Os novos negócios que o Fleury vem investindo podem ter resultado acima do esperado com amadurecimento e ganho de representatividade na empresa, podendo ser uma opcionalidade positiva para as ações.
A XP cortou o preço-alvo de Fleury de R$ 29 para R$ 19,50.
Odontoprev tem boas tendências de preços
O Itaú BBA elevou o preço-alvo de Odontoprev de R$ 11 para R$ 14, reiterando recomendação neutra.
Na avaliação dos analistas Vinicius Figueiredo, Lucca Generali Marquezini e Felipe Amancio, a companhia deve continuar com boas tendências de preços e redução na sinistralidade, elevando margens e compensando menor adição de vidas.
O banco nota que a companhia tem conseguido melhorar mix de produtos, com maior participação de planos para pequenas e médias empresas, além de clientes individuais, reduzindo pressão do setor mais competitivo de planos corporativos.
“A Odontoprev deve continuar se beneficiando da venda de produtos em canais de distribuição com menor custo de aquisição e maior rentabilidade”, afirmam. A robusta distribuição de dividendos é outro diferencial para a empresa, acrescentam os analistas.
Fonte: Valor Investe