8 Dec 2023
A Câmara Alta do Parlamento da Rússia marcou ontem para o dia 17 de março de 2024 as eleições presidenciais. Embora Vladimir Putin ainda não tenha anunciado oficialmente sua intenção de concorrer, poucos duvidam da vitória do atual presidente russo, que tem uma aprovação acima dos 80%, segundo o instituto independente Levada Center.
“A decisão praticamente inicia a campanha presidencial”, afirmou a presidente da Câmara Alta, Valentina Matvienko. Depois de eliminar metodicamente toda a oposição durante anos, o presidente russo poderá conquistar mais um mandato de seis anos, com direito a nova reeleição, em 2030, e permanecer no poder até 2036, quando teria 84 anos.
Quase todos os principais opositores de Putin, incluindo o ativista anticorrupção Alexei Navalni, foram presos ou forçados a fugir para o exílio. Além disso, qualquer critica à guerra contra a Ucrânia é severamente punida nos tribunais, o que reduziu ainda mais a dissidência.
APOIO. A presidente da Comissão Eleitoral, Ella Pamfilova, que estava na votação de ontem no Parlamento, disse que as eleições acontecerão em um “ambiente tóxico” devido à “russofobia” do Ocidente e às “sanções absurdas” contra o país. A votação também deve acontecer nas regiões ucranianas ocupadas pela Rússia, onde vigora a lei marcial.
Depois de um ano difícil, marcado por reveses na frente de batalha e por uma série de sanções ocidentais, a Rússia está em uma situação melhor em razão do fracasso da contraofensiva da Ucrânia, da redução do apoio de EUA e Europa a Kiev e do reajuste da economia russa.
No poder desde 2000, Putin se perpetua no poder graças a uma reforma constitucional aprovada em 2020, que abriu caminho para que ele obtivesse o direito de se candidatar novamente. Embora não tenha anunciado oficialmente a candidatura, o presidente russo afirmou, em setembro, que deixaria a decisão sobre o tema para “o fim do ano”.
O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, declarou em novembro que “o momento do anúncio se aproxima”, destacando que Putin não tinha nenhum rival significativo. A decisão pode ser anunciada na próxima semana, na grande entrevista coletiva anual de Putin e em uma sessão de perguntas e respostas com os cidadãos.
ADVERSÁRIOS. Os desafiantes de Putin ainda são desconhecidos. Duas pessoas até agora anunciaram planos de concorrer à presidência: o ex-deputado Boris Nadezhdin, que ocupa um assento em um conselho municipal na região de Moscou, e Yekaterina Duntsova, jornalista e advogada da região de Tver, no norte da capital.
Os aliados de Igor Strelkov, um nacionalista ultraconservador, que acusou Putin de fraqueza e indecisão na guerra da Ucrânia, citaram as suas ambições de concorrer, mas sua candidatura é improvável. Ele foi preso em julho, acusado pelas autoridades russas de extremismo, e pode ser condenado a até 5 anos de cadeia.
Fonte: O Estado de S. Paulo


