As primeiras ofertas iniciais de ações (IPOs, na sigla em inglês) na bolsa brasileira após um hiato de mais de quatro anos deverão vir de companhias do setor de infraestrutura, com operações de grande porte, de empresas maduras e com perspectivas claras de crescimento, disse o presidente da B3, Gilson Finkelsztain. “Tem um vento bom chegando, muito por conta da realocação global de recursos. É um vento que está vindo mais de fora do que de dentro”, disse.
O presidente da B3 apontou que a abertura de capital do PicPay nos Estados Unidos, no fim de janeiro, pode ser entendida como um prenúncio da reabertura do mercado de IPOs na bolsa local. Reforçou ainda que as empresas que escolherão bolsas no exterior para abrir capital devem ser minoria. Ele cita que atualmente há cerca de 50 companhias já com o registro na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e com governança preparada. “Se tiver demanda, elas irão a mercado.”
O executivo ponderou que, apesar do otimismo e da visão de que a entressafra de IPOs no mercado local se encerra em 2026, o ano será marcado pelo calendário eleitoral e que ainda há incertezas em relação à saúde fiscal do Brasil. Se os juros caírem em ritmo acelerado, as tendências serão mais positivas para o mercado de renda variável, com os investidores locais também podendo contribuir para a retomada da janela de ofertas. “Queda de juros será um catalisador para o investidor local”, afirmou.
E exatamente por conta da alta volatilidade do mercado de capitais no Brasil, sempre com altos e baixos, a B3 está reforçando sua estratégia de diversificação de receitas rumo a ampliar suas receitas em negócios contracíclicos. Ontem, anunciou uma nova marca que irá abrigar suas empresas de soluções analíticas de dados (“data analytics”). Batizada de Trillia, ela irá reunir companhias que foram adquiridas ao longo dos últimos anos pela operadora da bolsa brasileira: PDTec, Neoway, Neurotech, DataStock e a Unidade de Infraestrutura para Financiamentos (UIF). Com o movimento, essas marcas deixam de existir.
A Trillia será liderada por Marcos Vanderlei, vice-presidente de infraestrutura da B3. “Temos a capacidade de ser uma empresa ambidestra. Temos a oportunidade de crescer na adjacência de onde a B3 atua”, destacou o executivo.
O negócio de data analytics representa atualmente cerca de 10% das receitas da B3. Sem divulgar “guidance”, Finkelsztain disse que a intenção é a de ampliar essa fatia. “Queremos ter a fortaleza do negócio que gera resultado independentemente do ciclo econômico”, afirmou. O executivo aponta que bolsas de valores globais têm caminhado na mesma direção.
O presidente da B3 disse que as bolsas globais buscam ter entre 30% e 35% das receitas com origem em data analytics. Ele cita que a B3, por ter embaixo do seu guarda-chuva outros negócios além dos ligados ao mercado de capitais, como sua área de financiamento, possui um horizonte mais amplo de atuação.
O executivo destacou ainda que a ideia não é buscar sinergias de despesas com a união das empresas sob a mesma marca, mas sim de receitas e de posicionamento do negócio.
Fonte: Valor Econômico

