Por Alessandra Saraiva — Do Rio
20/12/2023 05h01 Atualizado há 6 horas
Commodities mais caras levaram à aceleração mensal da segunda prévia do Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), que passou de 0,61% para 0,78% entre novembro e dezembro, informou ontem a Fundação Getulio Vargas (FGV). Mesmo com taxa maior no mês, o indicador acumula queda de 3,14% em 12 meses até segunda prévia de dezembro, afirmou André Braz, economista da FGV. “Creio que pode encerrar o ano em queda de 3%” disse.
Caso seja confirmada previsão do especialista, seria a primeira queda anual desde 2017 (-0,52%) e a menor taxa desde Plano Real no indicador. O economista, em divulgações anteriores, observou que comparações de resultados dos Índices Gerais de Preços (IGPs) aos de períodos anteriores à estabilização, feita pelo Plano em 1994, não são recomendáveis, visto a hiperinflação no início dos anos 90.
Ao falar sobre o que levou à aceleração mensal do indicador, o especialista comentou que, mais uma vez, a inflação atacadista foi o que conduziu à taxa maior da segunda prévia. O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que representa o segmento acelerou de 0,74% para 1,07% entre novembro e dezembro. “Altas em preços de commodities levaram à taxa maior”, afirmou ele.
Braz informou que das cinco principais elevações de preço, no IPA, na segunda prévia de dezembro, quatro eram commodities. Foram os casos de minério de ferro (7,24%); milho (8,88%); soja (1,98%) e carne bovina (2,25%). Braz explicou que os preços de commodities têm passado por recuperação, após sucessivas quedas de cotação em meados deste ano.
Se confirmada a taxa negativa em 2023, será a primeira deflação anual do indicador desde 2017
Esses itens agrícolas em alta no atacado podem conduzir a aumentos de preços de alimentos, em seus respectivos derivados no varejo, pressionando a inflação percebida pelo consumidor no futuro, segundo ele.
Mas, no momento, o varejo mostra desaceleração, notou o técnico. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), 30% do IGP-M, desacelerou de 0,30% para 0,07% da segunda prévia de novembro para igual prévia em dezembro.
Ao ser questionado se o indicador poderia continuar a acelerar, na evolução mensal, e levar à taxa completa mensal do IGP-M de dezembro a resultado acima de 1%, o especialista disse não acreditar nessa hipótese. “Acho que vai ficar mais em torno de 0,80% [o IGP-M de dezembro]” afirmou ele.
E, no caso da taxa anual do indicador, o IGP-M de 2023 deve finalizar em deflação, reiterou ele. Isso porque não há tempo hábil para que a taxa em 12 meses retorne ao terreno positivo.
O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) desacelerou de 0,26% para 0,10% da segunda prévia em relação à de dezembro.
Fonte: Valor Econômico


