A Porto e o Fleury desistiram da proposta de aquisição da Oncoclínicas, segundo o Valor apurou. A oferta previa aporte de R$ 500 milhões numa empresa a ser criada só com as clínicas da companhia e o mesmo valor por meio de uma emissão de debêntures conversíveis em ações.
Com isso, outras propostas como a da Mak Capital, gestora americana com 6,3% da companhia, vão para a mesa de negociações.
A Mak tem duas propostas: um aporte de R$ 500 milhões via debêntures conversíveis em ações e um empréstimo de até R$ 150 milhões para compra de remédios. Ambas estão atreladas à saída imediata de pelo menos dois membros do conselho, que já renunciou mas permanecerá até a eleição que ocorre no dia 30.
A seguradora e a rede de medicina diagnóstica tinham uma exclusividade nas negociações, mas o prazo terminou no domingo (12). Ainda segundo fontes, até houve tentativa da seguradora de ampliar o prazo da exclusividade, mas as negociações nos últimos dias foram cercadas de conflitos, com pressão pela falta de medicamentos, e entre os acionistas.
A Latache, de Renato Azevedo, vem liderando as negociações, mas sua prioridade é a briga com a Centaurus, maior acionista da Oncoclínicas, para realização de uma oferta de pública de aquisição de ações (OPA). O caso está na Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Ainda de acordo com fontes, a Oncoclínicas destinou novos recursos para a compra de medicamentos para esta semana. Cerca de 6 mil pacientes já tiveram seus tratamentos oncológicos adiados por falta de remédios. Na semana passada, um grupo de médicos ameaçou pedir demissão conjunta caso não houvesse normalização no fornecimento da medicação.
Ontem, a companhia entrou com cautelar judicial contra cobrança. Em dezembro de 2025, a dívida total somava R$ 3,3 bilhões. A empresa está com dificuldades para negociar ‘waiver’ (perdão) com os detentores de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs), uma vez que esses papéis estão muito pulverizados no mercado.
A Oncoclínicas estourou o acordo de limite de endividamento determinado em 3,5 vezes o lucro antes de juros, depreciação e amortização (Ebitda). Esse indicador ficou em 4,27 vezes. A companhia encerrou 2025 com um ativo circulante de R$ 2,9 bilhões para um passivo de R$ 5,2 bilhões, ou seja, só havia recursos para pagar 55% das dívidas de curto prazo.
A Deloitte alertou no balanço que há risco relevante de continuidade operacional. Na semana passada, a Fitch reduziu o rating da Oncoclínicas para RD.br, ou seja, um nível antes do calote total.
A companhia apurou prejuízo de R$ 3,6 bilhões, o que representa aumento de 5,1 vezes sobre o resultado negativo de 2024. A última linha do balanço foi impactada pela perda de R$ 430 milhões com os CDBs do Banco Master, que era acionista da Oncoclínicas até o fim do ano passado. A companhia também teve que reconhecer uma perda de R$ 865 milhões de uma da dívida não paga pela Unimed-Rio (atual Unimed Ferj).
O prejuízo de R$ 3,6 bilhões chama atenção tendo em vista que a receita líquida foi de R$ 5,7 bilhões, queda de 7,8% sobre 2024.
O Fleury confirmou a desistência, em fato relevante ontem à noite. Procuradas, Oncoclínicas e Porto não comentaram.
Fonte: Valor Econômico