A Trump Media and Technology Group, empresa controladora da Truth Social, está levantando US$ 2,5 bilhões (R$ 14,1 bilhões) por meio da venda de ações e títulos, com o objetivo de criar uma reserva corporativa de bitcoin — refletindo a agenda pró-cripto do presidente americano Donald Trump.
Em um documento enviado à Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC) na terça-feira (28), a companhia informou que irá vender US$ 1,5 bilhão (R$ 8,4 bilhões) em ações e US$ 1 bilhão (R$ 5,6 bilhões) em debêntures conversíveis para investidores institucionais. Segundo a empresa, os recursos obtidos serão usados para financiar uma reserva de bitcoin, tornando a criptomoeda uma parte central do seu balanço patrimonial.
As ações oferecidas na venda privada foram precificadas em US$ 25,72 (R$ 145,00), o que representa um valor 8,7% superior ao preço de mercado de US$ 23,5786 (R$ 133,00) registrado às 12h (horário de Brasília) na terça-feira. A companhia planeja armazenar seus bitcoins com a Crypto.com e a Anchorage Digital, conforme detalhado no mesmo documento.
A Trump Media foi criada no início de 2021, logo após Donald Trump deixar o cargo, e abriu capital em março de 2024 por meio de uma fusão com uma SPAC — empresa de fachada usada para levar startups à bolsa. Além da Truth Social, a companhia também opera a plataforma de streaming Truth+ e o serviço de tecnologia financeira Truth.fi. A decisão de montar uma reserva de bitcoin ecoa a estratégia agressiva do CEO da MicroStrategy, Michael Saylor, que impulsionou o crescimento de sua empresa comprando bitcoin com os recursos obtidos pela venda de valores mobiliários.
Trump controla 115 milhões de ações — avaliadas em US$ 2,7 bilhões (R$ 15,2 bilhões) às 12h de terça-feira — o que representa 52% da Trump Media antes de qualquer diluição resultante da venda privada. Essa participação está mantida em um trust revogável, no qual Trump é o único doador e beneficiário; Donald Trump Jr. atua como administrador do fundo.
Plano pró-cripto
De forma semelhante à Trump Media, o governo Trump anunciou em março planos para criar uma reserva estratégica nacional da maior criptomoeda do mundo. A proposta da administração está sendo apresentada como uma estratégia econômica nacional, enquanto o fundo de bitcoin da Trump Media é uma iniciativa empresarial privada — embora o momento em que ambos foram divulgados evidencie prioridades alinhadas. O anúncio da Trump Media também coincide com o início da conferência Bitcoin 2025, em Las Vegas, onde o vice-presidente JD Vance, Donald Trump Jr. (membro do conselho da Trump Media) e Eric Trump devem discursar.
A Trump Media afirmou que cerca de 50 investidores institucionais participaram do acordo, embora ainda não esteja claro quem são esses compradores.
Em nota divulgada para anunciar a venda, o CEO da empresa, Devin Nunes, declarou: “vemos o Bitcoin como um instrumento supremo de liberdade financeira, agora a Trump Media passará a manter criptomoedas como uma parte essencial dos nossos ativos. Essa é nossa primeira aquisição de um ativo joia da coroa, esse investimento ajudará a proteger nossa empresa contra assédio e discriminação por parte de instituições financeiras.”
Curiosamente, em 2019, Trump havia declarado no Twitter: “Não sou fã de Bitcoin e outras criptomoedas, que não são dinheiro, têm valor altamente volátil e baseado no nada. Criptoativos não regulamentados podem facilitar comportamentos ilegais, incluindo o tráfico de drogas e outras atividades ilícitas.”
Segundo um comunicado à imprensa, a Trump Media contou com a assessoria da Cantor Fitzgerald na transação. Antes de integrar o gabinete de Trump, o secretário de Comércio, Howard Lutnick, atuava como CEO da instituição financeira. No início deste mês, Lutnick se desfez de sua participação na Cantor Fitzgerald, transferindo os ativos para trusts em nome dos filhos.
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Fonte: Forbes


