O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reiterou, em ata de sua última reunião, publicada nesta manhã, que avalia que “a política monetária deve se manter contracionista por tempo suficiente em patamar que consolide não apenas o processo de desinflação, como também a ancoragem das expectativas em torno de suas metas”.
O colegiado também voltou a afirmar ainda que “se manterá vigilante” e relembrou que como usual “eventuais ajustes futuros na taxa de juros serão ditados pelo firme compromisso de convergência da inflação à meta”.
Na discussão sobre a manutenção dos juros em 10,5% ao ano, registrou o mercado de trabalho e a atividade econômica, em particular o consumo das famílias, têm surpreendido e divergido do cenário de desaceleração previsto.
O documento registrou que “houve nova elevação das projeções de inflação tanto para 2024 quanto para 2025, não obstante a elevação do condicionante de taxa Selic retirado da pesquisa Focus”.
Segundo a ata, o Copom avaliou unanimemente que deve perseguir a reancoragem das expectativas de inflação “independentemente de quais sejam as fontes por trás” dela.
“A reancoragem das expectativas de inflação é vista como elemento essencial para assegurar a convergência da inflação para a meta”, diz a ata da reunião da semana passada.
Para o comitê, a redução das expectativas “requer uma atuação firme da autoridade monetária, bem como o contínuo fortalecimento da credibilidade e da reputação tanto das instituições como dos arcabouços fiscal e monetário que compõem a política econômica brasileira”.
O comitê diz ainda que “não se furtará de seu compromisso com o atingimento da meta de inflação e entende o papel fundamental das expectativas na dinâmica da inflação”.
Na reunião da semana passada, que decidiu por unanimidade pela manutenção da Selic em 10,50% ao ano, o Copom debateu se o balanço de riscos para a inflação pende mais para o lado altista.
“De um lado, enfatizou-se que parte da assimetria altista relacionada à atividade já havia sido incorporada no próprio cenário central, com a reavaliação do hiato do produto”, diz a ata.
“De outro, expressou-se o receio que o hiato do produto continue mostrando resiliência, bem como de uma inflação de alimentos mais persistente nos patamares recentemente observados.”
Ao final, o comitê majoritariamente decidiu por manter o balanço de riscos simétrico nessa reunião.
Do lado dos riscos altistas, foram destacados uma maior persistência das pressões inflacionárias globais e uma maior resiliência na inflação de serviços do que a projetada em função de um hiato do produto mais apertado.
Do lado baixista, o Copom destacou uma desaceleração da atividade econômica global mais acentuada do que a projetada e os impactos do aperto monetário sincronizado sobre a desinflação global se mostrarem mais fortes do que o esperado.
Fonte: Valor Econômico
