4 May 2023
O perfil brasileiro de emissões de gases de efeito estufa é diferente do resto do mundo. A maior parte (76%) entre 2000 e 2020 deriva de mudanças no uso do solo, o que inclui desmatamento e agricultura. Globalmente, esse índice é de 18%. De outro lado, a energia do País é considerada limpa, pois quase metade da que é produzida no Brasil vem de fontes renováveis, em contraste com a média de 15% a 27% no resto do mundo.
“O Brasil é um grande emissor de gases de efeito estufa não porque usa combustíveis sujos, mas porque ele continua cortando florestas para extrair madeira e expandir a agricultura”, afirma o diretor do Banco Mundial para o Brasil, Johannes Zutt.
“Com 21% da floresta amazônica já cortada, o restante está se aproximando rapidamente de um ponto crítico, além do qual seu ciclo vital será irreparavelmente interrompido. Isso terá impactos devastadores em toda a América Latina e particularmente para o Brasil”, diz Zutt. O relatório considera que um possível ponto de inflexão na Amazônia teria impacto sobre o PIB acumulado do Brasil até 2050 de aproximadamente R$ 920 bilhões.
O estudo sustenta que o custo de apostar em energia limpa, no Brasil, é equivalente ao de usar combustíveis fósseis. As despesas de investimento iniciais, porém, seriam mais altas para geração, transmissão e armazenamento. Na leitura dos pesquisadores, isso seria “totalmente compensado por economias em termos de combustível e operações”.
DESMATAMENTO. Segundo Zutt, o País deve aproveitar sua vantagem em energia renovável para se tornar potência de energia limpa ao mesmo tempo em que implementa um plano para proteger a floresta amazônica.
Com isso, argumentam os pesquisadores, o Brasil poderia atingir a meta de acabar com o desmatamento ilegal em 2028 e alcançar o desmatamento líquido zero em 2050 sem comprometer o desenvolvimento da região. •
Fonte: O Estado de S. Paulo


