O chefe do J.P. Morgan Chase, Jamie Dimon, advertiu que as perdas das instituições credoras com empresas muito endividadas serão maiores do que muitos imaginam, influenciadas pelo enfraquecimento dos padrões para a concessão de empréstimos, em meio aos receios cada vez maiores com a saúde do crédito privado, um mercado de US$ 1,8 trilhão.
Esse tipo de crédito, um empréstimo feito fora do sistema bancário, cresceu a passos acelerados nos últimos dez anos, depois de a regulamentação ter afastado bancos como o J.P. Morgan de alguns segmentos do mercado.
“Acredito, de fato, que quando tivermos um ciclo de crédito, o que vai acontecer algum dia, as perdas em todos os empréstimos alavancados em geral serão maiores do que as previstas, em relação ao ambiente”, escreveu Dimon em sua carta anual aos acionistas, referindo-se aos empréstimos a empresas com alto nível de dívida em relação a seus lucros.
“Isso porque os padrões de crédito têm sido modestamente enfraquecidos basicamente de forma generalizada”, escreveu Dimon em sua carta, que é acompanhada por muitos em Wall Street.
Dimon, que comanda o J.P. Morgan desde 2006, cita como exemplos “suposições agressivas e positivas sobre o desempenho futuro” na análise sobre a saúde dos captadores, exigências contratuais mais fracas e o maior uso do chamado pagamento em espécie (PIK, na sigla em inglês), que permite aos captadores adiar o pagamento dos empréstimos.
Dimon, cuja comparação dos empréstimos problemáticos a “baratas” em 2025 se tornou onipresente em Wall Street, disse que o setor “não tem uma recessão de crédito há muito tempo, e parece que algumas pessoas presumem que isso nunca vai acontecer”.
Ao falar sobre a economia dos Estados Unidos de forma mais ampla, Dimon disse que seu estado “continua resiliente, com os consumidores ainda ganhando e gastando”, apesar de um “cenário inquietante” e de “certo enfraquecimento recente”.
Ele alertou para o potencial de “choques significativos em curso nos preços do petróleo e de commodities”, em razão da guerra americano-israelense contra o Irã.
Dimon mencionou ventos a favor da economia em 2026, como o “Grande e Belo Projeto de Lei” do presidente Donald Trump, os planos da Casa Branca de desregulamentação, o programa do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) de compra de títulos de dívida e os investimentos em infraestrutura de inteligência artificial (IA). Dimon previu que a IA criará novos empregos, mas “definitivamente eliminará alguns”.
“Nossa empresa terá planos abrangentes sobre o que podemos fazer para apoiar e reposicionar nossa força de trabalho afetada”, disse Dimon.
Dimon usa sua carta anual aos acionistas para opinar sobre questões que vão além do setor bancário e do J.P. Morgan. O executivo disse que os EUA “precisam que a Europa tenha sucesso”, mas reforçou sua crítica de 2025 de que “a Europa vem entrando em uma década decisiva e está incapaz de agir”.
“A Europa nunca concluiu a união econômica, o que fez com que os países europeus tivessem desempenho econômico constantemente inferior”, escreveu Dimon.
“Isso levou o PIB deles em relação ao dos Estados Unidos a cair de 90% no ano 2000 para aproximadamente 70% hoje.”
Fonte: Valor Econômico