/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_63b422c2caee4269b8b34177e8876b93/internal_photos/bs/2024/E/f/9M4aCTSHCk9XVAlS8EyA/foto28fin-101-patria-c8.jpg)
Os investidores dos fundos imobiliários do Credit Suisse aprovaram a transferência da gestão de sete carteiras, com cerca de R$ 12 bilhões em ativos, para o Pátria Investimentos. Numa força-tarefa para engajar os cotistas, administrador e gestoras conseguiram aval de cerca de 130 mil participantes. O grupo atingiu, assim, o quórum mínimo necessário de donos de 25% das cotas em cada uma das assembleias realizadas por meio de consulta formal desde abril.
Essa etapa valida a aquisição da divisão de fundos imobiliários do grupo suíço no Brasil. O Pátria arrematou o negócio em dezembro por US$ 130 milhões, o equivalente a R$ 650 milhões, numa disputa com a Vinci Partners na fase final. A transferência dos fundos e da equipe do CS, hoje do UBS, propriamente está prevista para o fim de agosto.
A transação coloca de vez o segmento de fundos imobiliários no cardápio do Pátria que tem ações negociadas na Nasdaq há três anos. Em meados de 2022, o grupo tinha anunciado a compra de 50% da gestora VBI, também especializada no setor, então com cerca de R$ 5 bilhões, e atualmente com R$ 9,7 bilhões, segundo a Anbima. Tem a opção de adquirir, a partir deste ano, o restante e é esse o caminho que analistas que cobrem o papel esperam. A administração ainda não fala sobre o assunto.
“Foi, provavelmente, a maior [aprovação] em termos de engajamento de cotistas em assembleias de fundos imobiliários no Brasil”, diz Daniel Sorrentino, sócio e executivo-chefe (CEO) do Pátria para as Américas. “É um grande passo para nos fortalecer na atividade imobiliária e traz um time novo liderado pelo Augusto [Martins] e a turma do Credit Suisse.”
Este foi também um teste para o sistema de voto a distância. Foram usados três sistemas de votação: o analógico, com o formulário tradicional, um módulo de votação na área do investidor na B3 e o por e-mail, na plataforma Cuore, em que o investidor recebeu um link e foi direto para a cédula. Houve ainda intervenções na mídia e a mobilização de influenciadores digitais.
A recente proposta da RBR Gestão para aquisição dos ativos existentes no fundo CSHG Prime Offices, por R$ 618,3 milhões, foi “dentro do curso normal de negócios de fundos” e não significa um terceiro atrapalhando o processo, afirma Sorrentino. “Não atravessou, não vimos dessa forma, é parte do mercado imobiliário e está dentro do jogo”, diz.
O risco mapeado no início das conversas, de comprar a asset de fundos imobiliários do Credit Suisse e não levar, por conta de uma oferta oportunista no meio do caminho, não se concretizou. “A surpresa foi o apoio da comunidade”, diz Sorrentino, com gestores de fundos de fundos, concorrentes, aprovando a operação e dentro do prazo.
O acordo entre as partes já previa o pagamento em duas tranches, uma na assinatura do acordo e a outra depois que os investidores aprovassem a transferência das carteiras e os trâmites legais estivessem finalizados.
Os R$ 12 bilhões adicionados à base atual elevam os ativos sob gestão (AUM) do Pátria a R$ 215 bilhões na América Latina, segundo o executivo. O grupo atua nos segmentos de private equity (participação em empresas), infraestrutura, crédito, ações e fundos imobiliários. Em paralelo, o Banco Genial passa a ser administrador e custodiante dos fundos herdados da corretora Credit Suisse Hedging-Griffo.
Na apresentação dos resultados de 2023, em fevereiro, a administração do Pátria relatou ter achado um caminho para cumprir as metas plurianuais previstas até 2025. A meta é atingir US$ 50 bilhões sob gestão, com o patrimônio remunerado por taxas em US$ 35 bilhões, numa combinação de captação e de fusões e aquisições. No fim de abril, o grupo comunicou a conclusão da compra da área de private equity da Abrdn.
Fonte: Valor Econômico
