Desde que abriu seu capital em 2021 nos Estados Unidos, quando o mundo ainda estava preso em casa em meio a um dos piores momentos da pandemia, a gestora Pátria viu seu tamanho triplicar, em um movimento de diversificação regional e de sua base de produtos na prateleira.
À época, tinha US$ 14 bilhões sob gestão e ainda era predominantemente conhecida pela sua plataforma de private equity (aquela que compra participação em empresas). Hoje, essa base se aproxima dos US$ 43 bilhões – saltando de seis para mais de 30 produtos disponíveis ao mercado nesse intervalo. Deste total, 75% captados fora da América Latina.
Para frente, em um horizonte de três anos, está mais uma vez nos planos dobrar de tamanho, expandindo para 60 produtos, com a visão de atender a demanda dos clientes, que tem crescido. “Antes do IPO a gente já tinha a visão de que existiria uma consolidação no nosso setor, com os clientes querendo fazer mais com os mesmos gestores”, diz Alexandre Saigh, fundador e presidente global da gestora, em entrevista ao Valor.
Com a expansão internacional e de produtos, hoje a bandeira da casa – a plataforma de private equity, que já representou quase metade do negócio do Pátria – abarca uma fatia de 10% da gestora.
Nesta semana, esse braço da gestora anunciou um investimento em varejo que busca a consolidação em supermercados, processo em curso. Mas há outros setores que o Pátria prevê consolidar, como saúde, por exemplo, que enfrenta mais dificuldades. Mas Saigh prefere relativizar, afirmando que muitos dos investimentos feitos em outros negócios foram lucrativos. “Não é um ‘buy’ um caso, é um ‘buy’ a estratégia.”
O processo de trazer cada vez mais produtos tem relação com a posição do Pátria no mercado internacional – e também de querer novas opções e com os clientes da região mais afeitos aos investimentos alternativos, até mesmo com uma maior participação dos fundos de pensão, que ainda alocam pouco nessa classe de ativos.
Na América Latina, além do Brasil, o Pátria abriu os braços para México, Chile e Colômbia, basicamente por meio de aquisições e joint ventures. Esses cinco países somam US$ 750 bilhões com fundos de pensão e tem potencial para chegar a US$ 1,4 trilhão em cinco anos, o que aumenta o mercado endereçável, diz Saigh.
O México é o país onde o Pátria quer avançar. “Temos uma exposição pequena lá e entendemos que pode ser o segundo maior mercado [latino-americano, atrás do Brasil] onde queremos estar”, afirma.
Nesta semana, o Pátria assinou um memorando de entendimentos com a Arábia Saudita. Segundo Saigh, o acordo selou um relacionamento já de longa data que a gestora possui com os sauditas, o que em breve vai se transformar em novos investimentos em parceiras. O primeiro investimento em conjunto foi com o fundo soberano do Kwait em 1997 – e de lá para cá, a confiança entre os investidores da região aumentou.
“Pretendemos fazer investimentos com a Arábia Saudita em concessões de rodovias aqui no Brasil”, disse. No ano passado, a gestora formou um consórcio vencedor, que incluiu outros investidores institucionais, entre eles o Public Investment Fund (PIF), fundo soberano da Arábia Saudita, do leilão para concessão do sistema rodoviário Lote 1 de Rodovias do Paraná. “Vamos entrar em outras concessões.”
Olhando a frente, conforme o interesse local aumenta em investimentos alternativos, o executivo prevê que a participação da região na captação possa representar a metade do total. Dentre o mais recente processo de expansão, o Pátria levou os fundos imobiliários do Credit Suisse. Na Europa, incorporou a operação da inglesa Abrdn (antiga Aberdeen).
Fonte: Valor Econômico
