Rodrigo Azevedo, sócio e gestor da Ibiuna, reconhece que nos últimos 18 meses o desempenho da indústria de fundos multimercados como um todo deixou a desejar. “Decepcionamos os cotistas, é verdade”. Ainda assim, ele acredita que há muita chance de o pior ter ficado para trás.
Segundo Azevedo, o que explica esse desempenho ruim desde 2023 são as incertezas sobre a economia global. Enquanto 2019 e 2020 foram anos de juros para baixo, em função da pandemia de coronavírus, 2021 e 2022 foram de juros para cima, para combater a inflação. E em 2023 o cenário ficou mais nebuloso.
A boa notícia, diz ele, é que nos últimos dois, três meses os modelos econométricos parecem ter voltado a funcionar melhor. Nos EUA, por exemplo, não há mais discussão de alta de juros. Pode-se debater quando a redução começará — ele acha que só em dezembro — mas a tendência é de baixa.
“Olhando para frente, eu começo a ganhar mais confiança na minha visão de médio prazo, e quando isso acontece, quando há mais visibilidade, a gente pode se mover do investimento tático para o estrutural. Aí os fundos multimercados nadam de braçada”, comenta o gestor, cuja casa administra mais de R$ 25 bilhões em ativos.
Azevedo também comentou que, nos últimos dez anos, depois que o Brasil começou a ter o rating rebaixado no segundo governo Dilma, a volatilidade no mercado local aumentou muito. Isso acabou servindo para incentivar a diversificação global. Hoje, o Brasil é apenas de 30% a 40% do risco da Ibiuna.
Participando do mesmo painel, Giuliano de Marchi, diretor de América Latina da J.P. Morgan Asset Management, lembrou que os investidores institucionais brasileiros aportam somente entre 2% e 4% no exterior. Ao elevar essa fatia, cria-se uma descorrelação com o risco dos ativos locais, e essa diversificação favorece as carteiras.
Já Cristiano Lauretti, diretor de private equity da Kinea, admitiu que o momento é de baixa para o seu segmento, mas comentou que houve um amadurecimento muito grande da indústria brasileira de private equity nos últimos anos, que hoje em dia está muito mais alinhada com a dinâmica do setor nos EUA, por exemplo.
Ele apontou que lá fora há um nível recorde de “dry powder” [capital comprometido e a ser investido], mas com uma baixa de novos projetos, com poucos IPOs e operações de M&A [fusões e aquisições]. “Antigamente os gestores brasileiros estariam doidos para alocar e captar novos fundos, e agora temos visto uma disciplina de investimentos muito maior, o que se reflete em bons retornos”. Para ele, o pipeline já está mostrando melhores números de operações e volumes.
Fonte: Valor Econômico

