O atentado contra o ex-presidente Donald Trump “é o pior tipo de evento que poderia acontecer” neste momento nos Estados Unidos, afirmou o presidente da consultoria de riscos Eurasia Group, Ian Bremmer, em vídeo publicado em sua conta no X na noite deste sábado (13). Ele também disse que o atentado “torna mais provável que Trump vença” a eleição presidencial.
O analista destacou que os Estados Unidos são atualmente “um país muito polarizado” e no qual boa parte da população “não acredita que a sua democracia está saudável ou particularmente funcional”.
“Estou profundamente preocupado que [o atentado] preceda mais violência política e instabilidade social”, disse. “É o tipo de evento que vimos historicamente em muitos países que enfrentavam instabilidade e que frequentemente não acaba bem.”
De acordo com ele, “devemos estar preparados para mais violência, em todo o espectro político”. Alguns dos motivos, segundo o analista, são a grande quantidade de armas em circulação nos Estados Unidos e as teorias da conspiração disseminadas em redes sociais.
Além disso, “a disposição de alguns [atores] para usar a violência política” é “talvez a maior desde a Guerra Civil” americana. Ele também mencionou “atores externos”, como Rússia, China, Irã, Coreia do Norte “e outros interessados na divisão dos Estados Unidos”.
Bremmer destacou que as instituições americanas são “resilientes”, mas que elas têm ficado “sob pressão” e estão “sendo erodidas e atacadas”.
A respeito da campanha presidencial, o presidente da Eurasia afirmou que a imagem de Trump com sangue no rosto e o punho erguido é “icônica”.
“Suspeito que essa imagem será muito, muito importante para o resto dessa campanha”, afirmou, dizendo que o atentando aumenta as chances de o ex-presidente ser eleito.
Para Bremmer, “a séria vulnerabilidade” da imagem do presidente americano Joe Biden contrasta com a imagem de Trump depois do atentado, que projetaria “força”.
“Imagino [que a imagem do ex-presidente] vá ocupar todas as manchetes”, disse, destacando também o efeito motivacional que a própria imagem terá sobre os apoiadores de Trump.
O analista ainda defendeu a importância de o Congresso americano “idealmente” repudiar em uma sessão de maneira conjunta o atentado, com os parlamentares dos partidos Republicano e Democrata. “[Mas] tenho grandes suspeitas de que isso não vai acontecer”, disse.
Na avaliação de Bremmer, a democracia “não está em crise ao redor do mundo”, citando as eleições recentes “pacíficas” em países como Inglaterra, França, Índia e México.
Fonte: Valor Econômico
