Tiago Berriel, estrategista-chefe do BTG, acredita que o Banco Central vai interromper os cortes da Selic. Segundo ele, a estratégia de flexibilização monetária adotada em agosto do ano passado, apesar de fazer sentido na época, deu errado.
“É preciso parar e repensar. Nesse contexto, acho que o BC para o ciclo de afrouxamento agora e tentará recuperar o tempo perdido”, afirmou em evento promovido pela Previ. Segundo ele, em meados do ano passado, com a inflação corrente mais baixa, não fazia muito sentido o BC manter o juro real elevado. Além disso, com o novo arcabouço fiscal no ano passado, parecia que os gastos do governo iriam desacelerar. “Parecia fazer sentido, mas alguma coisa ruim acabou acontecendo no meio do caminho.”
Um dos possíveis fatores, segundo ele, foi que os gastos amplos do governo (incluindo precatórios e outros fora do novo arcabouço) não desaceleraram como se esperava.
Berriel afirma que um dos potenciais motivos que levou a uma desaceleração da inflação na segunda metade do ano passado e início deste ano foi uma espécie de importação de desinflação. “A única coisa que aconteceu foi um choque de ‘non tradables’ muito forte, de energia, commodities, preços de alimentos, no mundo inteiro, e isso se transmitiu de uma maneira um pouco acima do usual para serviços. Mas agora esta não é mais uma estratégia de desinflação crível daqui para frente.”
Ou seja, para reancorar as expectativas e trazer a inflação para a meta, algo diferente precisaria acontecer. “Ou ancorar as expectativas, ou abrir o hiato do produto, ter uma taxa de juros restritiva, para a inflação convergir em um ano e meio dois. Não tem jeito.”
Berriel acredita que o Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, deve reduzir os juros em setembro, com possivelmente outro corte ainda este ano. “Os EUA estão desacelerando, isso é inequívoco, e há uma convergência da inflação para onde deveria estar”, comentou.
No mesmo painel, Alessandra Ribeiro, economista da Tendências, afirmou que a previsão dela é de corte de 0,25 ponto percentual pelo Fed este ano e mais 1 ponto percentual em 2025, até mesmo porque existem riscos no cenário, como a possível eleição de Donald Trump à presidência dos EUA. Berriel discordou da colega painelista, afirmando que isso implicaria em um juro real de 2% nos EUA.
“Um juro real de 2% nos EUA é muito alto, é uma revisão gigantesca do que acontecia no pré-pandemia, quando o juro real era negativo. Acho improvável que a economia americana sobrevivendo por muito tempo com juro real curto de 2%”.
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