17 Aug 2023 BEATRIZ CAPIRAZI
A primeira Bolsa de crédito de carbono do mundo, a B4, foi lançada ontem em São Paulo. Ela permite a negociação dos créditos referentes aos certificados emitidos para uma empresa que reduziu a sua emissão de gases do efeito estufa como um ativo financeiro por meio da tecnologia blockchain, que agrupa informações que se conectam por meio de criptografia. Assim, transações financeiras e outras operações podem ser feitas de forma segura.
A ideia é de que a Bolsa atue como um facilitador para as empresas que querem compensar a quantidade de carbono emitida em suas operações e impulsionar a transição energética por meio de uma economia com foco em regeneração dos recursos naturais.
Segundo uma prospecção interna feita pela companhia, a expectativa é de movimentar R$ 12 bilhões em crédito de carbono no primeiro ano após o lançamento da plataforma. Eles, porém, destacam que, com base nas empresas que pedem para ser listadas e nas que querem comprar os créditos, a demanda seria dez vezes superior a esse valor. Os nomes das empresas só vão ser anunciados em breve.
“Ela (B4) não vai ser uma alternativa à B3. Ela vai listar ativos tokenizados (dispositivo que funciona como uma chave eletrônica) e projetos voltados à sustentabilidade”, afirma o fundador da B4, Odair Rodrigues. Kaue Vinícius, especialista em negociação que atua na Ásia há 19 anos, e Mozart Fernandes, especialista em marketing, também são sócios da empresa.
A B4 afirma que grandes indústrias dos Estados Unidos, Canadá, do Japão, da França e da Arábia Saudita já demonstraram interesse em comprar e comercializar os créditos da B4. No Brasil, empresas de varejo que vendem o crédito dentro dos seus aplicativos, como iFood e Uber, também teriam demonstrado interesse. Como objetivo final, a B4 tem a intenção de se tornar uma Bolsa de ação climática. Neste primeiro momento, no entanto, a plataforma irá comercializar apenas créditos de carbono.
Além de facilitar o acesso de empresas à negociação de ativos digitais lastreados em carbono, a B4 também tem a intenção de impulsionar a chegada de mais empresas ao carbono neutro por meio de uma plataforma controlada. “A tecnologia permite o fracionamento e venda rastreada e auditável destes crédito, evitando que as empresas finjam adotar práticas sustentáveis”, afirma o CEO da BBChain, André Carneiro.
COMO FUNCIONA. Diferentemente da B3, em que é preciso negociar a compra e a venda de ativos por meio de uma corretora de valores, a empresa poderá se cadastrar na plataforma (https://b4.capital), preencher informações similares às solicitadas pelo banco e criar uma conta. Depois, pode comprar os créditos de carbono após transferir a quantia para a conta. “Vai operar de forma similar a uma conta de banco ou a compra de criptoativos, com a diferença de que iremos verificar as empresas que estão comprando”, diz Rodrigues.
Uma indústria que se interesse em começar a sua compensação de crédito de carbono, por exemplo, pode fazer o cadastro, comprar o crédito de carbono e mantê-lo na carteira da corretora. “É uma forma, inclusive, de anunciar para a sociedade que aquela empresa está realmente fazendo a compensação, já que ela pode incluir essas informações nos próprios balanços financeiros”, diz Rodrigues. •
Fonte: O Estado de S. Paulo