Por Renan Truffi, Fabio Murakawa e Marcelo Ribeiro, Valor — Brasília
08/05/2023 17h32 Atualizado há 12 horas
Alvo de críticas pela dificuldade do governo na articulação política, o ministro da Secretaria de Relações Institucionais (SRI) da Presidência da República, Alexandre Padilha, relativizou nesta segunda-feira (8) as recentes dificuldades do governo no Congresso e cobrou fidelidade de partidos aliados. Porém, a despeito da expectativa de líderes governistas, que querem se reunir diretamente com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o ministro apontou que permanece com respaldo para fazer essa interlocução no dia a dia.
De acordo com o petista, as reuniões de alinhamento da articulação política acontecerão ainda nesta semana, mas serão capitaneadas por ele e pelo ministro da Casa Civil, Rui Costa. “As primeiras reuniões serão com PSB e PSD, depois MDB e União Brasil”, explicou. Segundo líderes ouvidos pelo Valor, mesmo assim é esperada a presença de Lula nesses encontros.
As afirmações do ministro foram feitas em entrevista coletiva convocada pela própria assessoria de Padilha, em meio à onda de críticas que emergiram contra o titular da SRI. “Eu estou acostumado a esse cargo. Não sou marinheiro de primeira viagem. Participei da coordenação política ainda em 2005. Estou acostumado com as tarefas desse cargo. Temos tido muitas vitórias e tivemos uma derrota semana passada”, disse, quando questionado sobre as críticas do presidente da Câmara, Arthur Lira (PL-AL).
Na última quarta-feira, a Câmara dos Deputados aprovou, por 295 votos a 136, o projeto de decreto legislativo (PDL) que susta trechos dos decretos do governo que alteraram o marco legal do saneamento básico. Um parlamentar se absteve. A votação foi considerada um recado de aliados ao Planalto e seguiu para o Senado, para onde o governo enviará os ministros Rui Costa e Jader Filho, Cidades, com a missão de barrar a proposta.
Repetindo uma prática de Lula, Padilha fez uma analogia futebolística para explicar o momento do governo. “É raríssimo um time ser campeão invicto. O que aconteceu semana passada foi uma derrota importante, mas foi uma derrota em começo do campeonato. Mas vamos ganhar o campeonato, vamos ganhar a final, que é o mais importante”, acrescentou.
O ministro citou como prioridades a aprovação do novo marco fiscal e o avanço da reforma tributária ainda neste primeiro semestre.
Padilha negou que Lula vá, a partir de agora, conduzir pessoalmente as negociações com líderes do governo e partidos da base aliada para fazer um freio de arrumação. Apesar disso, disse que Lula é o “Pelé da articulação” e que o presidente poderá participar eventualmente das conversas.
“O presidente Lula participa desde 1 de janeiro [da articulação]. Sou o ministro que mais despacha com ele. [Ele] já se reuniu mais de uma vez com presidentes da Câmara e do Senado e vai se colocar à disposição. O presidente Lula participa ativamente e vai continuar participando [da articulação]”, ponderou.
Padilha afirmou ainda que o governo está acelerando o pagamento de emendas parlamentares ao Orçamento. Recentemente, o presidente da Câmara reuniu-se com Lula e relatou queixas dos deputados sobre a demora na liberação de recursos para suas bases eleitorais.
Por outro lado, direcionou alguns recados a ministros de partidos da base do governo que não estariam pedindo os votos necessários para vitórias no Congresso. Ele fez cobranças explícitas ao ministro das Cidades, Jader Filho, do MDB. Na semana passada, emedebistas da Câmara votaram contra as mudanças feitas pelo governo no marco do saneamento, área de influência da pasta das Cidades.
“Certamente [as bancadas vão ser cobradas]. Uma das pautas da reunião é justamente essa. Você tem, por exemplo, o ministro das Cidades, cujo tema é um dos autores do decreto do saneamento, você vê a bancada do MDB [e ela] votou contra. Então é o momento de compreender quais foram os motivos”, pontuou.
Fonte: Valor Econômico

