Por Adriana Cotias — De São Paulo
11/07/2023 05h02 Atualizado há 4 horas
A Oriz Partners, butique de investimentos cofundada pelo economista e ex-secretário do Tesouro Carlos Kawall, apadrinhada pela XP, encaixou as últimas peças do modelo de negócio idealizado quando abriu as portas nove meses atrás. O escritório acaba de trazer dois novos sócios egressos do Safra: José Paulo Scheliga, que assume o papel de executivo-chefe (CEO), e Carlos Pitta, para comandar o braço de gestão de riqueza, o “wealth management”.
Os executivos chegam com o mandato de promover o crescimento integrado e potencializar as três principais áreas da empresa: o “private banking”, a atividade de banco de investimentos e a mesa de operações. As metas são ambiciosas e preveem atingir de R$ 10 bilhões a R$ 15 bilhões de patrimônio sob aconselhamento em 12 meses, estima Scheliga. Há também objetivos agressivos na estruturação de dívida e na assessoria de fusões e aquisições.
Scheliga iniciou a carreira no Citi, há mais de 20 anos, onde conheceu Kawall. Passou pelo Santander, Safra, Barclays e foi coCEO global e fundador da Easy Taxi, numa breve experiência de empreendedorismo, entre 2013 e 2014. O último posto foi como diretor do wealth management e private banking do Safra. Estava em período de quarentena contratual, o “garden leave”, desde abril de 2022, após mais de oito anos no banco.
Pitta também veio de lá, onde foi convidado, numa segunda passagem, para estruturar o private banking da instituição, em 2016, com uma equipe vinda do Credit Suisse. Antes do grupo suíço, atuou na mesa proprietária do “family office” dos Safra.
Os dois saíram de um banco familiar – por onde Kawall também passou antes de ir para a Asa Investments, de Alberto Safra -, sem expectativa de ter participação societária, atraídos pelo modelo de “partnership” da Oriz. Como pano de fundo, acompanham uma tendência já observada no mercado internacional, de “desbancarização” da gestão das fortunas familiares e da atividade de mercado de capitais para casas independentes.
“Crescer sendo dono efetivamente é como se extrai o máximo de cada um. E a independência do time busca o que há de melhor no mercado. O modelo já deu certo em ‘n’ outros países, é um círculo virtuoso ter a mesma pessoa à frente do cliente [para vários negócios]”, diz Pitta. “Numa partnership, se precisar você vai servir café. Fiquei fora do escritório, estive em Ribeirão Preto, você põe a botina e vai onde tiver que ir.”
A Oriz colocou o seu motor para funcionar em outubro do ano passado com o objetivo de combinar a exclusividade de um “multi family office” com a variedade dos serviços de private banking, casando o atendimento às famílias com o dedicado às empresas.
Foi a primeira companhia não financeira a estruturar captações debaixo do escopo da nova regulação da CVM para ofertas. Esteve por trás da emissão de um CRI para a fintech CashMe e de um Fiagro para a Inter Asset, com consultoria do fundo americano Amerra. As operações podem movimentar cerca de R$ 200 milhões.
A casa já tem uma área de ativos judiciais, três fundos de situações especiais, um braço em Miami, a Oriz US, e, em março, trouxe o também ex-Safra Edigimar Maximiliano para inaugurar os serviços de corretagem de renda fixa, ações e derivativos na sua mesa de operações. O executivo trabalhou na criação das corretoras do Safra, Bradesco e Unibanco.
“A gente brinca que é difícil sair de uma reunião sem negócio para fazer. Tem como cercar o cliente na pessoa física, na pessoa jurídica, no precatório que tenha para vender”, cita Scheliga. No Brasil e no exterior, hoje a Oriz tem cerca de R$ 2 bilhões sob aconselhamento.
Pitta diz que a ideia é olhar muito para o cliente do miolo, e que vê oportunidades em perfis entre R$ 10 milhões e R$ 200 milhões, que são também empresários. “Tem companhia que fatura de R$ 100 milhões a R$ 500 milhões, num setor que é o principal motor do PIB brasileiro, no agro, mas o empresário não sabe que pode emitir dívida, ter dinheiro lá fora, ter o mesmo acesso de um cliente grande que é cortejado por todos.”
A Oriz trabalha tanto sob o modelo de consultoria quanto de gestão, e, neste último, com mandato discricionário, devolve 100% do rebate – a parcela da taxa de administração em fundos que remunera a distribuição – ao investidor. “A gente não ganha nada além do ‘fee based’ [comissão fixa] da taxa de gestão e performance”, diz Pitta. “Estamos aqui para o resto da vida, a gente não pode errar.”
Apesar de a XP ser sócia minoritária do projeto, Scheliga diz que não há exclusividade, que o acordo prezou pela independência, podendo trabalhar com qualquer casa, pagando pelo serviço que usar da plataforma.
Fonte: Valor Econômico


