A Opep+ concordou com outro aumento significativo na produção de petróleo para setembro, completando sua atual fase de retomada da oferta um ano antes, à medida que o grupo caminha para recuperar sua participação nos mercados globais de petróleo bruto.
A Arábia Saudita e seus parceiros concordaram, por videoconferência, em adicionar cerca de 548.000 barris por dia no próximo mês, disseram os delegados. Isso completa a reversão de um corte de 2,2 milhões de barris feito por oito membros em 2023, e também inclui uma permissão extra que será gradualmente aplicada pelos Emirados Árabes Unidos.
Outra parte, de cerca de 1,66 milhão de barris de produção, interrompida será revisada até o final de dezembro, disse um dos delegados.
O aumento mais recente coroa uma mudança drástica da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e seus parceiros, que deixaram de defender os preços e passaram a abrir as torneiras, o que ajudou a conter os preços futuros do petróleo e da gasolina diante das tensões geopolíticas e da forte demanda sazonal, oferecendo algum alívio para os motoristas e uma vitória para o presidente dos EUA, Donald Trump. Os aumentos acelerados ajudaram a alimentar as expectativas de um superávit global de oferta no final do ano.
A decisão deste domingo (03), que confirma um acordo em princípio noticiado pela Bloomberg neste sábado (02), também ocorre em um momento em que o presidente Trump intensifica a pressão diplomática sobre a Rússia, colíder da OPEP+. Trump ameaçou Moscou com tarifas secundárias sobre seus clientes de petróleo, a menos que haja um cessar-fogo rápido na guerra na Ucrânia.
Uma interrupção nos fluxos russos ameaçaria elevar os preços do petróleo bruto e contrariaria os repetidos apelos de Trump por petróleo mais barato, enquanto ele pressiona o Federal Reserve a reduzir as taxas de juros.
O vice-primeiro-ministro russo, Alexander Novak, fez uma rara visita a Riad na quinta-feira para discutir a “cooperação entre os países” com o ministro da Energia da Arábia Saudita, Príncipe Abdulaziz bin Salman. Os dois países lideram conjuntamente a OPEP+ desde sua criação, há quase uma década.
Fonte: Valor Econômico