“Decidimos fazer essa limpa contábil e começar o quarto trimestre com números limpos para ter uma melhor clareza do desempenho operacional”, disse Cristiano Camargo, diretor financeiro da empresa
A OncoclínicasCotação de Oncoclínicas fez uma baixa contábil de R$ 1,8 bilhão em seu balanço do terceiro trimestre. Desse valor, R$ 466,2 milhões referem-se à venda de três hospitais localizados no Rio de Janeiro, Uberlândia e Belo Horizonte; R$ 183,2 milhões são devidos aos distrato da construção de dois “cancer centers” do Rio e da capital de Minas Gerais, cujas operações foram anunciadas entre julho e setembro.
Houve ainda uma provisão de 100% da dívida de R$ 864,9 milhões que a Unimed Ferj tem com a OncoclínicasCotação de Oncoclínicas e outra reserva de R$ 217 milhões por conta dos CDBs que a companhia tem junto ao Banco Master, que é seu sócio. Esse valor representa cerca de 40% do saldo aplicado na instituição financeira, que entrou no capital da empresa no ano passado por meio de um aumento de capital de R$ 1 bilhão.
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Há ainda outras provisões menores que somam R$ 67 milhões.
“As medidas foram todas anunciadas no trimestre. Com isso, já decidimos fazer essa limpa contábil e começar o quarto trimestre com números limpos para ter uma melhor clareza do desempenho operacional”, disse Cristiano Camargo, diretor financeiro e de relações com investidores da Onconclínicas.
Neste cenário, a empresa publicou indicadores com e sem ajuste.
Receita cai
A receita líquida caiu 13,6% para R$ 1,4 bilhão por conta do rompimento com a Unimed Ferj, que era a sua principal operadora, responsável por 13% do faturamento. Atualmente, a cooperativa médica e a OncoclínicasCotação de Oncoclínicas mantém uma relação comercial, mas a Unimed paga de forma antecipada os procedimentos médicos a fim de evitar inadimplência.
O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ficou negativo em quase R$ 1,4 bilhão contra um lucro de R$ 263 milhões, um ano antes. Já o indicador ajustado com as baixas contábeis somou R$ 241,4 milhões, o que representa uma queda de 20,3% sobre o mesmo período de 2024. A margem Ebitda ajustada caiu 1,4 ponto, para 17,1%.
Segundo Camargo, a venda dos três hospitais contribui para a melhora da margem, uma vez que essas unidades eram deficitárias em R$ 26 milhões por trimestre. Fazendo uma comparação entre os segundo e terceiro trimestres (já retirando os hospitais) há um incremento de R$ 56 milhões no Ebitda.
O diretor destacou que a melhora no Ebitda ajustado com as baixas contábeis possibilita um fluxo de caixa operacional de R$ 246 milhões, 24% acima do apurado um ano antes. “O fluxo de caixa livre somou R$ 62,4 milhões”, disse o executivo.
Reversão de lucro em prejuízo
Na última linha do balanço, a companhia apurou um prejuízo de R$ 1,8 bilhão revertendo o lucro de R$ 3,1 milhões. Considerando os ajustes, a companhia teve prejuízo de R$ 97,9 milhões contra um lucro de R$ 8,9 milhões, no mesmo trimestre de 2024. “Aqui, há impacto das despesas financeiras”, explicou Camargo.
Segundo fontes, com a entrada da venda do Hospital Vila da Serra por R$ 130 milhões e a saída de uma dívida de R$ 160 milhões do hospital de Uberlândia, que foi assumida pelo comprador, a alavancagem pode baixar para 2,6 vezes.
“Acreditamos que estamos no processo final do ‘turnaround’. Fizemos a venda de três hospitais, dois distratos e um aumento de capital em três meses. É uma grande transformação”, disse Camargo.
Aumento de capital
No terceiro trimestre, a companhia ainda fez um aumento de capital, levantando R$ 1,4 bilhão. Com esse aporte, a alavancagem da OncoclínicasCotação de Oncoclínicas cai para 4,2 vezes e o Ebitda para 3 vezes. A dívida reduziu-se de R$ 4 bilhões para R$ 2,9 bilhões.
A Cedro, empresa que era sócia da OncoclínicasCotação de Oncoclínicas nos projetos de “cancer center”, entrou no aumento de capital aportando R$ 210 milhões. Esse valor era referente às multas dos distratos que a OncoclínicasCotação de Oncoclínicas teria que pagar, mas para evitar saída de caixa, optou por transformar essa quantia num instrumento financeiro que deu direito a participar do aumento de capital. A Cedro, ou um veículo ligado à empresa de Lucas Kallas, deverá ficar com uma fatia de cerca de 6,5% da OncoclínicasCotação de Oncoclínicas.
A nova composição acionária será anunciada nos próximos dias. Ainda de acordo com fontes, Master, Centauro, Latache e Goldman Sachs não tinham entrado no aumento de capital até o meio dessa semana. O prazo para participar da transação terminou nesta sexta-feira (14).
Fonte: Valor Econômico