Com sinais conflitantes da inflação, da atividade e do mercado de trabalho dos Estados Unidos, os investidores esperam indicações mais claras do Federal Reserve (Fed) para a condução da política monetária americana na decisão de juros desta quarta-feira. Com a manutenção da taxa básica no patamar de 5,25% a 5,5% dada como certa, o foco ficará por conta do tom presente no comunicado e na coletiva do presidente do Fed, Jerome Powell, e nas projeções atualizadas do comitê do banco central.
Para André Diniz, economista da Kinea Investimentos, a comunicação do Fed pode manter o tom mais acomodatício da última reunião ao descartar novas altas de juros e indicar a manutenção de uma política monetária restritiva até que haja sinais claros de arrefecimento da inflação ou da atividade e do mercado de trabalho.
O Sumário de Projeções Econômicas (SEP, na sigla em inglês) do Fed trará as novas expectativas para o crescimento da economia e a evolução da inflação e do mercado de trabalho dos Estados Unidos, além do caminho esperado para os juros. Após a mediana do banco central projetar três cortes de 0,25 ponto percentual em março, é esperado que as novas projeções indiquem, no máximo, duas reduções em 2024.
“Hoje, o mercado precifica entre um e dois cortes do Fed. Se o próprio Fed antecipar só um corte, a tendência é que a curva de mercado reprecifique mais próxima desse um corte”, diz Diniz. Caso o Fed faça um ajuste “marginal” para duas reduções de juros em 2024, então o impacto nos mercados deve ser menor, acrescenta o economista.
Os estrategistas de renda fixa Ian Lyngen e Vail Hartman, da BMO Capital Markets, pontuam que a decisão de hoje do Fed é particularmente importante porque será acompanhada da leitura de maio do índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) dos Estados Unidos, que sairá às 9h30, poucas horas antes da divulgação do comunicado do banco central.
“Não apenas o mercado terá informações atualizadas sobre o ritmo da inflação, mas também o Fed, o que torna o tom do comunicado e da coletiva o mais ‘em tempo real’ possível”, afirmam Lyngen e Hartman.
Fonte: Valor Econômico
