Governo federal definiu também metas a serem atingidas
Por Bianca Guilherme, Valor — São Paulo
O plano Nova Indústria Brasil, anunciado nesta segunda (22), é composto por um conjunto de instrumentos públicos de apoio ao setor produtivo que, segundo o governo Lula, pretende estimular a produtividade e competitividade nacional, aproveitar melhor as vantagens competitivas do Brasil e reposicionar o país no comércio internacional.
Com um montante de R$ 300 bilhões até 2026, os recursos serão geridos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e pela Associação Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), que serão divididos entre R$ 271 bilhões em financiamentos, R$ 21 bilhões de créditos não reembolsáveis e R$ 8 bilhões para compra de ações.
Os investimentos serão distribuídos em quatro eixos:
- Estímulo à produtividade e aquisição de equipamentos;
- Desenvolvimento e inovação de projetos de pesquisa;
- Projetos de sustentabilidade da indústria;
- Incentivos para o acesso ao mercado internacional.
Metas e prioridades
Além dos quatro eixos, para os próximos 10 anos, o governo definiu seis áreas que terão prioridades, assim como metas a serem atingidas em curto prazo, até 2026, e longo prazo, até 2033. São elas:
- Cadeias agroindustriais sustentáveis e digitais: 70% dos estabelecimentos de agricultura familiar deverão estar mecanizados, atualmente apenas 18% são. Além disso, 95% dessas máquinas precisam ser produzidas nacionalmente;
- Complexo econômico industrial de saúde: ampliar a participação da produção no país de 42% para 70% das necessidades nacionais em medicamentos, vacinas, equipamentos e dispositivos médicos;
- Melhoria do bem-estar das pessoas nas cidades: reduzir em 20% o tempo de deslocamento das pessoas de casa para o trabalho. Além de ampliar em 25 pontos percentuais a participação da produção brasileira na cadeia da indústria do transporte público sustentável;
- Transformação digital da indústria: nos próximos dez anos o objetivo será triplicar a participação da produção nacional nos segmentos de novas tecnologias e ter 90% do total das empresas industriais brasileiras digitalizadas. Hoje esse número está em 23,5%.
- Bioeconomia, descarbonização e transição e segurança energética: ampliar em 50% a participação dos biocombustíveis na matriz energética de transportes; aumentar o uso da biodiversidade pela indústria e, ainda, reduzir em 30% a emissão de carbono da indústria nacional.
- Tecnologias de interesse para a soberania e defesa nacionais: pretende-se alcançar autonomia na produção de 50% das tecnologias críticas, dando prioridade para ações voltadas ao desenvolvimento de energia nuclear, sistemas de comunicação e sensoriamento, sistemas de propulsão e veículos autônomos e remotamente controlados.
Para Nelson Marconi, coordenador executivo do Centro de Estudos do Novo Desenvolvimentismo da FGV, a diferença entre a nova política industrial e política de “campeões nacionais” está na definição de metas, missões e na abertura para outros setores e não, necessariamente, na escolha de determinadas empresas.
Apesar disso, ele salienta que ainda faltam metas específicas e quantitativas relacionadas a determinados parâmetros. “Dessa vez o governo não está escolhendo de forma política empresas de grandes setores que poderiam estimular o crescimento. Para que dê certo é necessário que requisitos macroeconômicos sejam alcançados, entretanto, ainda sinto falta de metas especificas e quantitativas principalmente em relação à tecnologia, aumento de importações e de conteúdo nacional”, comenta.
Fonte: Valor Econômico