Se ouro como ativo financeiro vai bem – e ele vai muito bem, obrigado –, outros metais, em especial a prata, o cobre e o alumínio, têm potencial de entregar retornos ainda maiores nos próximos meses.
A aposta é do Citigroup, em relatório assinado pelo analista de commodities Kenny Hu. A leitura é que os metais preciosos, em especial o ouro, seguem em alta com a escalada dos conflitos geopolíticos; mas que, após o primeiro trimestre, uma provável moderação dos conflitos diminuiria a demanda por eles, enquanto a dos metais industriais continuaria aquecida.
A prata lidera os ganhos entre os quatro e, na avaliação do Citi, continuará na dianteira em 2026. Em horizonte de até três meses, o banco de investimentos espera que o ouro chegue a US$ 5.000 por onça, e a prata, a US$ 100 por onça. Já entre os industriais, que o cobre chegue a US$ 14.000 por tonelada métrica, e o alumínio, a US$ 3.400 por tonelada métrica.
“Apesar de o ouro ter alcançado níveis recordes recentemente, com altas de 7% no último mês e 12% no trimestre, nossa tese de investimento tem se provado correta”, diz o relatório. “Há tempos defendemos que a prata teria um desempenho superior e que o ciclo de alta dos metais preciosos se estenderia aos metais industriais, fazendo com que estes ganhassem destaque. Os resultados confirmam essa visão: no mesmo período, o cobre subiu 15% e 26%, o alumínio 10% e 15%, e a prata disparou 36% e 60%.”
A prata tem a dupla característica de metal precioso e de insumo para a indústria em setores com crescimento acelerado, como os de placas fotovoltáicas e semicondutores, entre outros. Ao mesmo tempo, como reserva de valor, seu preço tende a acompanhar o ouro – ainda que com maior volatilidade.
O relatório cita o risco de escassez de prata no mercado em razão dos atrasos e incertezas em torno das próximas decisões tarifárias da Seção 232 sobre minerais críticos, que representam “grandes riscos binários para os fluxos comerciais e preços”. De acordo com os analistas, o risco de aplicação de tarifas pode acelerar envios do metal para os Estados Unidos e levar a picos de preços. Em seguida, porém, “assim que houver maior clareza sobre as tarifas, os estoques americanos do metal podem fluir para fora” e o efeito seria o contrário, com queda acentuada dos ativos. Um colapso do preço da prata poderia arrastar com ele outros metais preciosos e industriais, na avaliação do Citi.
Na contramão de outras previsões do mercado, o banco de investimentos vê um cenário menos favorável para os metais preciosos após o primeiro trimestre, enquanto os industriais (cobre e alumínio) manteriam desempenho positivo.
“Nosso cenário base prevê que a eventual moderação dos riscos geopolíticos (ex: maior clareza sobre a situação EUA-Venezuela e Irã, e progressos nas negociações entre Rússia e Ucrânia) pesará sobre a demanda de proteção (hedging) por metais preciosos mais tarde no ano, particularmente sobre o ouro.”
Fonte: Valor Investe


