Por Álvaro Campos — De São Paulo
07/11/2023 05h04 Atualizado há 2 horas
O presidente do conselho de administração do BTG Pactual, André Esteves, afirmou que o Brasil está com uma imagem muito boa no exterior, por uma série de fatores, como as reformas estruturais dos últimos anos, o fato de ser um grande exportador de alimentos e de ter uma matriz energética bastante limpa. Com diversos outros emergentes fora do jogo (Rússia e países do Leste Europeu em função da guerra na Ucrânia, Argentina e Turquia caindo de categoria para a classificação de mercados de fronteira e China enfrentando tensões com os EUA), o Brasil não tem muitos rivais à altura, avalia.
“O Brasil está ganhando o jogo de W.O., não está tendo muita gente para competir. O cenário está bom para nós. Existem alguns deslocamentos geopolíticos e o Brasil pode ser um beneficiário, tem essa questão do desafio climático, como vão se reorganizar as cadeias produtivas globais”, comentou Esteves, ao participar ontem do BTG Macro Day. Ele lembrou ainda que o país tem um grande mercado consumidor, uma democracia consolidada e boas relações diplomáticas com quase todos os países do mundo.
Questionado sobre a possibilidade de alguns riscos geopolíticos ganharem escala, o banqueiro disse não acreditar nisso. Para ele, a guerra entre Rússia e Ucrânia está em uma instabilidade estável, o conflito entre Israel e o Hamas não deve aumentar tanto e uma disputa entre China e EUA – envolvendo Taiwan, por exemplo – tem uma “barra alta” para acontecer. “No auge da Guerra Fria, a corrente de comércio entre EUA e União Soviética era de 0,02% do PIB global. Entre EUA e China, hoje, é de quase 20%. As economias são muito mais intricadas.”
Esteves diz que o Federal Reserve está muito próximo do fim do ciclo de alta de juros. Para ele, pode haver algum ajuste, mas no momento a autoridade monetária americana já está mais preocupada com a possibilidade de apertar demais do que de fazer o movimento contrário. “As taxas nos EUA já estão inequivocamente reais, então algum efeito sobre a atividade vai acontecer. Pode ter uma leve recessão, ou não, é difícil dizer neste momento.”
Para o Brasil, diz que, dadas as incertezas externas e internas – como a questão fiscal -, o BC está certo em manter o ritmo de corte de juros em 0,5 ponto percentual. Segundo ele, só o tempo dirá onde a taxa pode chegar no fim do ciclo. Para ele, como o diferencial de juros do Brasil com os EUA ainda é muito grande, o BC brasileiro possui bastante espaço para cortar os juros antes que isso comece a afetar significativamente o câmbio.
Fonte: Valor Econômico


