Os novos chips, codinome Blackwell, são muito mais rápidos e maiores do que seus antecessores, aponta diretor executivo da empresa
Por Dow Jones — San José, Califórnia
O frenesi da Nvidia em inteligência artificial (IA) chegou a este ponto: o diretor executivo Jensen Huang apresentou os mais recentes chips da empresa na segunda-feira em uma arena esportiva, em um evento que um analista apelidou de “Woodstock da IA”.
Clientes, parceiros e fãs da empresa de chips desceram ao SAP Center, casa do time de hóquei San Jose Sharks, para o discurso principal de Huang em uma conferência anual da Nvidia que, este ano, tem capacidade para cerca de 11.000 pessoas.
Para ter uma ideia da dimensão, o evento de wrestling profissional WWE Monday Night Raw aconteceu lá em fevereiro. Justin Timberlake está programado para tocar na arena em maio. Nem mesmo os muito assistidos eventos de lançamento da Apple para o iPhone e iPad preencheram um local tão grande.
No centro da atenção do mundo da tecnologia está Huang, que passou de um diretor executivo de semicondutores com um segmento dedicado entre os entusiastas de videogame para um ícone da IA com apelo amplo o suficiente para atrair milhares para um evento corporativo.
“Espero que vocês percebam que isso não é um show”, disse Huang ao subir ao palco, avisando a plateia que uma apresentação técnica estava por vir.
Entre os palestrantes estavam executivos da OpenAI, xAI, de Elon Musk, Meta Platforms, Google e Microsoft. Uma fatia mais ampla dos usuários corporativos dos chips de IA da Nvidia, como L’Oréal, Jaguar Land Rover e Shell, também enviaram representantes.
O evento desta semana é a primeira versão presencial desde 2019 da conferência da Nvidia, oficialmente conhecida como GTC, abreviação de GPU Technology Conference. O nome é uma referência aos chips de processamento gráfico da Nvidia, que se tornaram os motores de trabalho computacionais do boom da IA generativa, fazendo os cálculos complexos necessários para alimentar bots de linguagem como o ChatGPT da OpenAI.
Em seu discurso de ontem, Huang deu mais detalhes sobre a próxima geração de chips de IA da Nvidia, os sucessores do H100, que têm sido escassos desde que a demanda por IA decolou no fim de 2022.
Os novos chips, codinome Blackwell, são muito mais rápidos e maiores do que seus antecessores, disse Huang. Eles estarão disponíveis ainda este ano, disse a empresa em comunicado. Os analistas do UBS estimam que os novos chips da Nvidia possam custar até US$ 50 mil, cerca de o dobro do que os analistas estimaram que a geração anterior custava.
Em uma apresentação altamente técnica, Huang deu exemplos das diferentes maneiras pelas quais os novos chips podem ser usados por clientes que desenvolvem e usam sistemas de IA. Ele também apresentou novos switches de rede projetados para usos de IA e sistemas de supercomputador que incorporam os novos chips.
Huang disse que os novos chips poderiam treinar os últimos modelos de IA usando 2.000 GPUs Blackwell usando apenas 4 megawatts de energia ao longo de cerca de 90 dias. Usando os chips do modelo anterior, esse processo levaria 8.000 GPUs usando 15 megawatts ao longo do mesmo período de tempo, disse ele.
Huang também falou sobre sua visão para algumas tecnologias mais distantes, incluindo descoberta de medicamentos, genômica e robôs humanóides. Nove robôs humanóides diferentes acompanharam o executivo no palco perto do final de seu discurso.
Ontem as ações da empresa fecharam em alta de menos de 1%, a US$ 884,55, exatamente quando o discurso de Huang no evento GTC começou.
O analista do Bank of America, Vivek Arya, aumentou seu preço-alvo na última semana para a Nvidia em uma nota sobre a expectativa para conferência, citando o crescente mercado para seus chips. O relatório foi intitulado “Woodstock da IA, também conhecido como GTC Preview”, lembrando não apenas o festival de música de 1969, mas também a reunião anual da Berkshire Hathaway, que Warren Buffett chamou de “Woodstock para Capitalistas”.
A Nvidia tem poucos concorrentes e uma participação de mercado dominante na computação de IA, mais de 80%, segundo algumas estimativas, graças a mais de uma década de investimentos antes que a demanda explodisse.
Mas mesmo enquanto está no topo do mercado de IA, a Nvidia enfrenta uma concorrência crescente de empresas ávidas por uma fatia do bolo, bem como agitação dos clientes por alternativas. Entre as iniciantes desafiando a Nvidia estão startups de chips com nomes como Cerebras, Groq e SambaNova Systems, bem como concorrentes mais conhecidos como Intel e AMD.
A Nvidia chegou à beira do fracasso em seus primeiros anos e foi sacudida nos últimos anos pelo boom e queda na mineração de criptomoedas, onde seus chips também são amplamente utilizados.
Fonte: Valor Econômico