Enquanto a empresa de foguetes de Elon Musk, a SpaceX, prepara sua oferta inicial de ações em bolsa (IPO, na sigla em inglês), uma das empresas do grupo já vem crescendo a passos largos e tem o Brasil como um de seus principais destaques. Trata-se da Starlink, operadora de internet por satélite.
A Starlink lançou seus planos de internet por aqui em 2022 e teve uma rápida ascensão a partir daí, atingindo a marca de 1 milhão de assinantes, conforme a própria empresa divulgou no X (antigo Twitter, comprado por Musk). A operadora disse que o Brasil tornou-se o seu segundo maior mercado, correspondendo a cerca de 10% da base de usuários ao redor do mundo, que gira em torno de 10 milhões de pessoas.
Os dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) mostram uma contagem menor, de 660 mil assinantes, conforme o levantamento mais recente, de fevereiro. Em geral, a base da agência reguladora tem certo atraso na comparação com os dados das próprias empresas. Apesar da discrepância, o balanço confirma a trajetória de crescimento acelerado, mostrando que a Starlink dobrou a quantidade de usuários locais nos últimos 12 meses.
Foco é operação por satélite
Analistas atribuem esse avanço à qualidade e abrangência do serviço, sem depender de torres, nem redes. A empresa de Musk foi capaz de levar internet a preços relativamente baixos para moradores de zonas rurais e cidades isoladas, como das regiões Centro-Oeste e Norte, onde a rede de fibra ótica não chega. A empresa trabalha com satélites de baixa órbita, situados a uma altitude de 550 quilômetros, que proveem internet de alta velocidade e baixa latência.
Atualmente, seus planos de internet são comercializados por valores mensais entre R$ 179 (com velocidade de 100 mbps) e R$ 354 (400 mbps), mais a compra da antena, que na versão mini sai por R$ 799. Com base nesses valores, é possível estimar uma receita anual da Starlink no Brasil entre R$ 1,3 bilhão e R$ 1,8 bilhão, dependendo do número de assinantes.
N ano passado, a Anatel aprovou o pedido da empresa para lançar mais 7,5 mil satélites na órbita, mesmo com protestos de concorrentes que apontavam riscos de interferências nos sinais. Como a empresa já tinha 4,4 mil satélites em operação, chegou a 11,9 mil equipamentos, reforçando a sua liderança no segmento.
A concorrência vem aí
Em breve, Musk vai enfrentar uma concorrência de peso no Brasil, uma vez que a Amazon está lançando sua própria constelação de satélites para ativar a internet por aqui. Os planos serão vendidos pela Sky, que passou a atuar também com banda larga, além de TV por assinatura e streaming de vídeo.
Mas a Starlink não deve parar por aqui. A oferta de ações da SpaceX deve resultar numa capitalização na ordem de US$ 50 bilhões a US$ 75 bilhões, de acordo com a imprensa estrangeira. Parte do dinheiro irá para a expansão da operadora, que tem planos de lançar novos serviços, como a internet para celulares em vários países. Hoje, seu principal negócio é a banda larga fixa, com um roteador em cada casa ‘espalhando’ o sinal da internet vinda do satélite.
Pela frente, a empresa de Musk projeta mais um salto que parece ficção científica. A SpaceX pretende criar um parque de data centers na órbita da Terra por meio do lançamento de até 1 milhão de satélites no médio a longo prazo. O pedido de análise do projeto foi protocolado em janeiro pela SpaceX junto à Comissão Federal de Comunicações (FCC), órgão regulador dos Estados Unidos análogo à Anatel. E a FCC topou analisar o projeto, abrindo uma consulta pública sobre o caso.
A infraestrutura proposta para a órbita seria alimentada por energia solar e refrigerada pela frieza natural do espaço. O sistema utilizaria links óticos entre satélites para processamento e transmissão de dados, com integração à rede da Starlink já existente. Segundo a petição, isso representaria um passo fundamental para o avanço tecnológico da humanidade.
Esta notícia foi publicada na Broadcast+ no dia 08/04/2026, às 18:16
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Fonte: Estadão