Os funcionários, que representam mais de um terço dos tecnólogos do Morgan Stanley na China continental, estão se mudando principalmente para Hong Kong e Cingapura, disse uma das pessoas, que pediu para não ser identificada. A maior parte da realocação foi concluída, de acordo com a pessoa.
A equipe restante do Morgan Stanley na China continental começou a montar um sistema autônomo no país para cumprir os regulamentos locais. A nova infraestrutura, que pode custar centenas de milhões de dólares, será incompatível com suas plataformas globais à medida que o banco reformula a estratégia na Ásia para lidar com registros de clientes, disse a pessoa.
As medidas estão entre as mais significativas de um banco de Wall Street em resposta a uma nova lei que restringe a transmissão de informações confidenciais para fora da China. Multinacionais de todos os setores agora são obrigadas a reavaliar a maneira como operam na segunda maior economia do mundo, enquanto o governo Xi Jinping aperta o controle sobre dados – um campo de batalha fundamental na rivalidade com os EUA.
Um representante do Morgan Stanley não quis comentar.
As realocações de funcionários do banco ocorrem em um momento em que multinacionais se tornam cada vez mais receosas de erem apanhadas na repressão de Pequim às percebidas ameaças à segurança nacional, com as crescentes tensões entre o Ocidente e a China. Autoridades também fizeram buscas e questionaram firmas de consultoria estrangeiras.
“A verdadeira questão macro”, se olhamos com perspectiva, “é a relação China-EUA”, disse o CEO do Morgan Stanley, James Gorman, em entrevista à Bloomberg Television na terça-feira, depois da divulgação dos resultados do segundo trimestre. “Somos muito dependentes da China, e a China é mais dependente do resto do mundo, francamente, para o comércio. Então, esse é o ponto de inflexão.”
O novo regime de dados não apenas afeta o desenvolvimento de infraestrutura de tecnologia na China para bancos internacionais, mas torna a administração de seus negócios mais desafiadora. Atualmente, reguladores permitem que os dados saiam das fronteiras, de acordo com os requisitos e aprovações legais relevantes, disseram as pessoas.
Desde que a China reforçou ainda mais a segurança dos dados com duas novas leis em 2021, companhias globais se concentraram na segregação de informações. Muitos bancos e gestores de ativos criaram centros onshore para manter dados da China no país como parte das operações globais, adicionando custos e dificultando o gerenciamento de suas operações chinesas, de acordo com a Asia Securities Industry & Financial Markets Association (ASIFMA).
A ASIFMA, principal grupo de lobby da região para empresas financeiras, disse que as regras cada vez mais rigorosas e pouco claras podem complicar as operações de instituições internacionais, pois estas não conseguem alavancar os benefícios da infraestrutura centralizada.
Equipe de tecnologia
O Morgan Stanley montou uma equipe de tecnologia considerável em Xangai para dar suporte às suas operações na China e globais, aproveitando a base de custo relativamente baixa e o pool de talentos locais da época. Também possui centros de tecnologia na Índia e em outras partes do mundo.
Para começar de novo, o banco vai desenvolver um sistema de tecnologia autônomo que, com o tempo, será adaptado para suas operações de futuros, derivativos e gestão de ativos na China continental, disse uma fonte.
O Goldman Sachs também administra um sistema separado para suas operações onshore e não possui equipes globais ou regionais no país. O banco acelerou o desenvolvimento de sua tecnologia nos últimos dois anos, colocando barreiras extras ao fluxo de informações transfronteiriças para cumprir as novas leis, quando mudou seu status de joint venture para uma entidade com 100% do controle, disseram pessoas a par do assunto. Um porta-voz do banco não comentou.
O UBS tem cerca de 600 funcionários de back-office em três unidades na China, que dão suporte a operações globais e chinesas. O banco suíço também possui servidores separados para manter seus dados da China onshore, enquanto segrega as operações no exterior. O UBS não quis comentar.
Fonte: Valor Econômico


