O Morgan Stanley revisou para baixo sua projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em 2027, de 1,6% para 1,2%, ficando abaixo do consenso de mercado, estimado em 1,7%. A mudança consta do relatório semanal “Week Ahead in Latin America”, assinado pelos economistas Ana Madeira e Thiago Machado, que mantiveram a projeção de crescimento de 2,0% para 2026.
Segundo o banco, o ano de 2026 deve seguir sustentado por um mercado de trabalho ainda resiliente — com desemprego em mínimas históricas de 5,5% em abril — e por um pacote de medidas de estímulo a renda e crédito que já soma 1,3% do PIB, podendo chegar a 2,1% do PIB caso sejam aprovadas iniciativas ainda em tramitação no Congresso, como a ampliação de benefícios do Simples Nacional e do MEI e o reajuste do piso salarial de médicos e dentistas.
Para 2027, no entanto, o banco identifica três fatores que devem pesar sobre a atividade. O primeiro é a deterioração da confiança de consumidores e empresários, que os economistas apontam como um indicador antecedente da desaceleração do consumo e do investimento no quarto trimestre de 2026. O segundo é a piora do quadro inflacionário — a expectativa do Morgan Stanley é de inflação em 5,0% no fim de 2026 e 4,0% em 2027 —, que deve pressionar os salários reais e manter elevado o endividamento das famílias. O terceiro fator é o que os economistas chamam de “ressaca fiscal”: a expectativa é de que os estímulos de crédito e renda percam força no ano que vem, à medida que a meta de resultado primário se torna mais exigente, subindo de 0,25% do PIB em 2026 para 0,50% em 2027.
Com um cenário de crescimento mais fraco, o banco revisou sua projeção para a taxa Selic ao fim de 2027 para 11,00% ao ano, patamar abaixo do consenso de mercado. A instituição pondera, contudo, que esse corte não está garantido: caso o quadro fiscal piore e provoque uma desancoragem mais forte das expectativas de inflação, o Banco Central deve priorizar o combate à alta de preços e manter os juros elevados mesmo em um ambiente de crescimento fraco.
Outros destaques da região
O relatório também traz atualizações sobre a semana na América Latina. No Brasil, a criação de vagas formais de emprego somou 72.960 em maio, número muito abaixo do esperado pelo mercado (cerca de 120 mil), no segundo mês consecutivo de resultado fraco — reflexo, segundo o banco, dos efeitos defasados da política monetária restritiva. O governo brasileiro também anunciou novas medidas de crédito subsidiado, entre elas o “Desenrola Adimplentes” e o “Fies Empreendedor”, além do novo Plano Safra 2026/27, com redução de juros para produtores rurais.
Na Colômbia, o Banco da República surpreendeu o mercado ao elevar a taxa de juros em 75 pontos-base, para 12,00% ao ano — acima do consenso de 50 pontos-base —, citando inflação em alta e expectativas desancoradas. No Peru, Keiko Fujimori venceu o segundo turno presidencial por margem estreita, com 50,13% dos votos válidos. Na Argentina, o chefe de gabinete Manuel Adorni renunciou em meio a uma investigação por corrupção e foi substituído pelo ministro do Interior, Diego Santilli. No Chile, dados de maio confirmaram um cenário de “duas velocidades” na economia, com forte queda da produção industrial (-7,5% na comparação anual) puxada pela mineração, enquanto o varejo seguiu resiliente.
Fonte: Morgan Stanley


