O Itaú Private Bank manteve inalteradas as posições táticas de suas carteiras-modelo em julho, tanto na parcela local quanto na internacional, em um mês marcado por um descompasso entre a queda do petróleo e a piora nas expectativas para os juros brasileiros. A avaliação é do estrategista-chefe de investimentos do banco, Thomas Wu, na carta mensal divulgada pela instituição.
Segundo Wu, o Brent recuou de pouco mais de US$ 90 para pouco mais de US$ 70 por barril entre o fim de maio e o fim de junho, movimento que teoricamente abriria espaço para cortes na Selic. Na prática, ocorreu o oposto: o Relatório Focus, do Banco Central, passou a projetar Selic de 14,00% ao fim de 2026, 12,00% em 2027 e 10,50% em 2028 — patamares superiores aos que constavam no levantamento do mês anterior e à leitura de dezembro de 2025.
Para o estrategista, a explicação está menos ligada ao choque de petróleo e mais a fatores domésticos e externos. No cenário internacional, o Federal Reserve, já sob comando de Kevin Warsh, sinalizou mudança de tom — do debate sobre novos cortes para a possibilidade de alta de juros —, movimento acompanhado por elevações de taxas no Banco Central Europeu e no Banco do Japão. No Brasil, o próprio Banco Central revisou para cima a projeção de crescimento do PIB de 2026, de 1,6% para 2,0%, atribuindo parte da melhora a estímulos fiscais e creditícios — uma combinação que, na leitura do Itaú, deixa a autoridade monetária com pouco espaço para flexibilização no curto prazo.
Carteira local: cautela na renda fixa e neutralidade em ações
Na renda fixa brasileira, o banco manteve a alocação neutra tanto em prefixados quanto em juros reais. Apesar da alta recente das taxas, a instituição avalia que o ambiente ainda combina inflação pressionada, deterioração das expectativas e estímulos fiscais que limitam o espaço para uma postura mais construtiva. Em bolsa local, a posição também segue neutra, penalizada pela concentração das revisões de lucro em setores dependentes de commodities e pela proximidade do ciclo eleitoral, fator que tende a elevar o prêmio de risco exigido pelos investidores.
Carteira internacional: aposta segue nos EUA
No exterior, o Itaú manteve a alocação abaixo do neutro em juros globais, com destaque para as Treasuries de prazo mais longo — o banco avalia que o mercado ainda subprecifica riscos inflacionários ligados a disrupções nas cadeias globais e à força da atividade americana, com espaço para a taxa de dez anos se aproximar de 5%. Em contrapartida, a instituição segue acima do neutro em ações, com sobrealocação em papéis americanos, sustentada por crescimento de lucros — projeção de alta de cerca de 20% para 2026 — e pelo ciclo de investimentos em inteligência artificial. Crédito global e dívida de mercados emergentes permanecem com exposição neutra.
Para o Itaú, a mensagem central de julho não é de mudança de rota, mas de seletividade: manter exposição a ativos com suporte mais claro em lucros e tecnologia, sem elevar o risco em classes ainda dependentes de uma queda mais rápida dos juros.
Fonte: Itaú Private Bank


