
Os custos de financiamento doméstico devem continuar elevados no Brasil, mesmo no consolidado mercado local de títulos soberanos, como reflexo de incertezas fiscais e monetárias. A constatação é do relatório da Moody’s Ratings sobre os títulos soberanos domésticos na América Latina.
De acordo com o relatório, este é o cenário que deve prevalecer mesmo em países com mercados monetários locais expressivos e bases de investidores institucionais grandes, como o Brasil e a Colômbia. Isso acontece em virtude da credibilidade fiscal fraca e transmissão restrita da política monetária para os custos do financiamento local.
Os países da América Latina estão expandindo o uso de títulos emitidos no mercado doméstico e em moeda local para reduzir a dependência de financiamento externo, de acordo com a Moody’s. Além disso, a estratégia ajuda fortalecer o sistema e traz mais resiliência a choques externos, acrescentou.
A Moody’s destacou que, de modo geral, países com uma base sólida de investidores internos e mercados fortes em moeda local tendem a apresentar retornos e liquidez mais constantes mesmo em cenários de crise global. Especialmente, se estes fatores forem combinados com maior credibilidade fiscal e monetária.
A disciplina fiscal e taxas de inflação baixas e estáveis são fatores que ajudam a conter o custo da dívida doméstica, acrescentaram os analistas da Moody’s
Quadro fiscal complexo
No Brasil, porém, o quadro é mais complexo. Mesmo diante da profundidade financeira local e de um estoque de dívida detido principalmente por investidores domésticos e em moeda local, os custos dos empréstimos do país permanecem estruturalmente elevados, observou a Moody’s.
“O tamanho de sua poupança e intermediação domésticas não se traduziu consistentemente em eficiência de custos, principalmente por causa dos atritos no mecanismo de transmissão monetária”, disseram os analistas da Moody’s no relatório.
No Brasil, a transmissão da política monetária é dificultada pela indexação da dívida a taxas flutuantes e à inflação e pela segmentação do crédito, de acordo com o relatório. Consequentemente, são necessárias oscilações mais amplas na taxa básica para que haja alteração efetiva nas condições de financiamento.
“As preocupações persistentes em torno da credibilidade fiscal estão provocando uma alta dos prêmios de risco sobre os rendimentos dos títulos públicos [brasileiros]”, reforçou a agência de rating em seu relatório.
Segundo a Moody’s, uma parcela elevada da dívida está atrelada à taxa flutuante e indexada à inflação, somada a mercados de crédito segmentados, sendo exposta a diferentes taxas de juros. Essa fragmentação exige que a autoridade monetária realize grandes movimentações na taxa básica para conseguir uma efetiva alteração nas condições de financiamento.
“Esses fatores ressaltam a importância da disciplina fiscal e eficácia da política para reduzir os prêmios de risco domésticos”, concluiu a Moody’s.
Fonte: Capital Aberto