Modi vem destacando, nos comícios, o crescimento econômico como uma de suas maiores conquistas e garantiu que fará da Índia a terceira maior economia do mundo (hoje é a quinta), se conseguir um terceiro mandato consecutivo, como preveem as pesquisas de intenção de voto.
Ele já solicitou ao seu gabinete que finalize até maio os planos de expansão da economia para US$ 6,69 trilhões em termos nominais até 2030. Hoje, o PIB da Índia é de US$ 3,51 trilhões. Embora careçam de detalhes concretos sobre como isso será alcançado, os planos têm servido de base paras as reuniões oficiais.
Quando assumiu o segundo mandato, há cinco anos, Modi prometeu elevar o PIB para US$ 5 trilhões no atual ano fiscal, mas em parte devido aos problemas causados pela pandemia de covid-19, atingir essa meta é praticamente impossível agora.
Nos próximos seis anos, o objetivo de Modi é aumentar a renda per capita de US$ 2.500 para US$ 4.148, afirma o documento, sem especificar os gastos ou as reformas que serão necessárias para se conseguir isso. O gabinete de Modi e o Ministério das Finanças não responderam a pedidos para comentários.
O economista independente Saugata Bhattacharya disse que dobrar o tamanho da economia até o fim da década seria “um feito muito difícil”, exigindo um crescimento de 6% a 6,5% ao ano nos próximos sete anos, juntamente com uma inflação de 4,5%.
No entanto, a expectativa é de que a economia cresceu cerca de 8% no último ano fiscal, encerrado em 31 de março, o maior número entre os grandes países, devido a atividade industrial e construção, motivada pelos gastos do governo.
Subhash Chandra Garg, um ex-funcionário de alto escalão do Ministério das Finanças, disse que as projeções de crescimento como essas, previstas no documento, são em grande parte baseadas em “cálculos aritméticos retroativos” e carecem de qualquer “plano de reforma e investimento”.
“Normalmente, essa ginástica mental baseada em cálculos aritméticos e suposições não tem sentido, a menos que haja um plano de reforma e investimentos sério para testá-la na economia real”, disse Garg, secretário das Finanças do governo Modi até 2019.
O principal partido de oposição no Congresso diz que o crescimento econômico da Índia nos últimos anos sob Modi pouco fez para criar empregos e aliviar a miséria rural, enquanto a desigualdade entre ricos e pobres aumentou.
O documento diz que o governo de Modi quer aumentar as exportações de bens e serviços dos atuais US$ 700 bilhões para US$ 1,58 trilhão até 2030, o que poderá dobrar a participação das exportações indianas no comércio mundial para mais de 4%.
O governo também planeja se concentrar em 70 áreas de melhoria, incluindo a capacitação da força de trabalho e o treinamento vocacional, demandas críticas de líderes empresariais que sempre se queixam da baixa capacitação da força de trabalho.
Também há planos para elevar a taxa de alfabetização dos atuais cerca de 78% para 82% até 2030, além de reduzir a taxa de desemprego de 8% para menos de 5% e elevar a participação da força de trabalho de 46% para mais de 50%.
Modi vem dizendo nos comícios que precisa permanecer no poder para implementar medidas que levarão a Índia a se tornar uma economia desenvolvida até 2047, o centésimo ano da independência do país. No entanto, ele não está especificando essas medidas.
Pesquisas de intenção de voto mostram que ele terá uma grande vitória nas eleições que se estenderão por algumas semanas e terminam após sete fases em 1º de junho, com a contagem dos votos ocorrendo em 4 de junho.
Uma coligação liderada pelo partido nacionalista hindu de Modi, o Bharatiya Janata Party (BJP), poderá conquistar quase três quartos dos assentos no Parlamento dessa nação de 1,42 bilhão de habitantes, mostra uma pesquisa divulgada no começo do mês.
Ele seria a primeira pessoa desde Jawarharlal Nehru, o primeiro premiê da Índia, a conseguir três mandatos consecutivos.
Fonte: Valor Econômico


