O mercado petrolífero mundial caminha para uma grande saturação nesta década, prevê a Agência Internacional de Energia (AIE), citando o aumento da oferta e a desaceleração do crescimento da demanda por petróleo graças a fontes de energia mais limpas.
A AIE, cujos membros incluem os maiores consumidores de petróleo do mundo, prevê em seu relatório sobre as perspectivas de médio prazo para o mercado petrolífero, que é atentamente acompanhado, que a chamada capacidade não utilizada — a capacidade de bombeamento não utilizada devido à adequação da necessidade — poderá aumentar nos próximos anos aos níveis dos primeiros dias da pandemia de covid-19.
O crescimento da demanda por petróleo deverá atingir um pico em 2029 e começar a se contrair no ano seguinte, alcançando 105,4 milhões de barris/dia em 2030, na medida da aceleração da implementação das tecnologias de energia limpa, diz a organização com sede em Paris. Enquanto isso, a capacidade de produção de petróleo deverá aumentar para quase 113,8 milhões de barris/dia, movida por produtores dos EUA e de outros países da América.
“Isso resultará em níveis de capacidade ociosa nunca vistos, exceto no auge dos ‘lockdowns’ da covid-19 em 2020”, disse ontem a AIE. “Uma reserva de petróleo tão grande poderá inaugurar um ambiente de preços mais baixos do petróleo, representando desafios difíceis para os produtores de xisto dos EUA e os países da Opep+.”
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Apesar da desaceleração, a demanda mundial por petróleo em 2030 ainda deverá aumentar 3,2 milhões de barris/dia em relação a 2023, diz a agência. O aumento será conduzido pela demanda vigorosa de economias da Ásia — especialmente pelo aumento do uso de petróleo na Índia e pelo aquecido setor petroquímico da China. Mas o aumento das vendas de carros elétricos, a melhor eficiência dos combustíveis e o uso maior de fontes renováveis na geração de eletricidade anularão esses ganhos.
Nas economias avançadas, prevê-se que a demanda cairá de cerca de 45,7 milhões de barris/dia em 2023 para 42,7 milhões em 2030. Excluindo a pandemia, a última vez que a demanda por petróleo esteve tão baixa foi em 1991, segundo a AIE.
Enquanto isso, o crescimento da capacidade global de produção será liderado por países de fora da Opep+ – especialmente EUA, Brasil, Canadá, Argentina e Guiana -, que responderão por três quartos do aumento esperado até 2030.
A capacidade de produção da Opep+ deverá crescer 1,4 milhão de barris/dia de 2023 a 2030, liderada por Arábia Saudita, Emirados Árabes e Iraque. Segundo a AIE, a participação total de mercado deste grupo caiu para 48,5% este ano — a menor desde que a aliança foi formada em 2016 —, devido às restrições voluntárias à produção.
Olhando para o curto prazo, a agência reduziu a sua previsão de crescimento da demanda mundial por petróleo para 960.000 barris/dia este ano, diante da estimativa anterior de 1,1 milhão de barris/dia, uma vez as fracas entregas nos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) levaram a uma pequena contração da demanda global em março.
O aumento da demanda por petróleo para o próximo ano está agora previsto em 1 milhão de barris/dia, face ao 1,2 milhão de barris previsto anteriormente, devido ao fraco crescimento econômico, o aumento do uso de veículos elétricos e ganhos de eficiência. A demanda total deverá alcançar a média de 103,2 milhões de barris/dia em 2024 e 104,2 milhões de barris/dia em 2025.
O relatório divulgado ontem surge no momento em que o petróleo do tipo Brent é negociado em cerca de US$ 82 o barril e o West Texas Intermediate (WTI) em cerca de US$ 78 o barril. Os dois referenciais subiram cerca de 3% esta semana, uma vez que os traders parecem estar comprando na queda, após um grande recuo das ações do setor provocado pelo plano da Opep+ de reverter alguns de seus cortes na produção.
Os preços estão ganhando apoio nas expectativas de que a demanda por combustíveis neste verão no Hemisfério Norte e as restrições à produção pela Opep+ levarão a um déficit considerável no terceiro trimestre. Ainda assim, o sentimento de baixa continua dominando o mercado, com as perspectivas de juros mais altos por um período mais longo nos EUA reduzindo a perspectiva de demanda.
As projeções da AIE continuam abaixo das da Opep, com o cartel prevendo um crescimento da demanda mundial por petróleo de 2,2 milhões de barris/dia este ano e 1,8 milhão de barris em 2025.
Espera-se agora que a oferta total de petróleo seja maior, alcançando uma média de 102,9 milhões de barris/dia este ano e 104,7 milhões de barris/dia no ano que vem. Os países de fora da OPEP+ ainda deverão liderar a oferta global, segundo a AIE. A produção deve crescer 1,4 milhão de barris/dia em 2024 e 1,5 milhão de barris/dia em 2025, diz a agência.
Fonte: Valor Econômico

