A economia dos Estados Unidos apresentou sinais de desaceleração, com uma queda nas vendas no varejo e na manufatura no mês passado, mas o mercado de trabalho continua resiliente, pois em boa medida os empregadores mantiveram seus funcionários.
As vendas no varejo em novembro registraram sua maior queda em quase um ano, de 0,6% no mês, em um declínio generalizado que reflete a pressão da inflação e um deslocamento para gastos com serviços. Vários indicadores de atividade industrial mostraram contração nos dados divulgados ontem, afetados pelos custos mais altos para tomada de crédito e por uma demanda mais fraca.
O mercado de trabalho continua a ser um aspecto positivo, pois os pedidos iniciais de auxílio-desemprego caíram na semana passada para o nível mais baixo dos últimos dois meses, para 211 mil. Mas outro indicador, o dos trabalhadores desempregados que continuam sem emprego por um período mais longo, subiu para o nível mais alto desde fevereiro.
Em conjunto, os dados apontam para uma desaceleração no fim do ano, o que deve ser bem recebido pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), que tenta esfriar o crescimento para conter a inflação. As autoridades do Fed preveem que a economia mal vai crescer neste ano e no próximo, segundo projeções divulgadas na quarta-feira, o que reforça os temores de recessão.
“As famílias ainda aproveitam o excesso de poupança e se beneficiam de ganhos salariais robustos, mas esses fatores positivos vão minguar no ano que vem, especialmente se o Fed continuar a subir o juro”, escreveu Sal Guatieri, economista da BMO Capital Markets.
O crescimento dos salários tem dado força aos gastos do consumidor — que de longe é o fator que mais contribui para o crescimento econômico. Mas o fraco dado de vendas no varejo sugere que as elevações das taxas de juro do Fed começam a incomodar.
As chamadas vendas do grupo de controle — que são usadas para calcular o PIB e não incluem serviços de alimentação, concessionárias de automóveis, lojas de materiais de construção e postos de gasolina — caíram 0,2%, abaixo das estimativas de um ganho de 0,1%.
A redução nos gastos com produtos afetou o setor manufatureiro. Em novembro, a produção industrial caiu 0,2% em novembro, a primeira queda desde junho, enquanto pesquisas regionais do Fed indicaram um enfraquecimento maior do que o esperado da manufatura nas áreas de Nova York e Filadélfia. Na Filadélfia, as novas encomendas caíram pelo sétimo mês para o nível mais baixo desde abril de 2020.
O mercado de trabalho, porém, não enfraqueceu. As contratações e o crescimento dos salários continuam robustos, e os pedidos iniciais de auxílio-desemprego se mantêm em níveis historicamente baixos. Ainda assim, o crescimento recente do número de pedidos recorrentes do auxílio sugere que as pessoas enfrentam dificuldades para encontrar um novo emprego, e o desemprego deve aumentar.
Fonte: Valor Economico