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O mercado de saúde animal, que engloba o fornecimento de rações e de produtos veterinários, projeta novo crescimento neste ano, puxado principalmente pelo segmento pet, que tem registrado grandes saltos desde a pandemia, mas também pela oferta de produtos mais sustentáveis, que reduzem a emissão de metano pelos animais de criação. Os produtores de rações, que tiveram alta de 1,3% no faturamento em 2023, esperam um crescimento superior a 2% em 2024. Já entre os fornecedores de produtos veterinários, a expectativa é de novo resultado positivo em 2024, embora ligeiramente menor do que os 4,2% registrados no ano passado.
“A estabilidade nos preços dos principais ingredientes das rações, que são o milho e o farelo de soja, sempre estimula os criadores de gado a reforçar a alimentação do rebanho. É o que acontece agora”, explica Ariovaldo Zani, diretor-executivo do Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal (Sindirações). Como o Brasil não tem invernos tão rigorosos, apenas seis milhões de reses são tratadas em confinamento no país, uma fração muito pequena em relação ao rebanho de 210 milhões de cabeças, segundo números oficiais. Há ainda sete milhões de bovinos em regime de semiconfinamento – ou seja, que são criados soltos no pasto, mas com reforço de ração nos cochos.
Zani chama a atenção também para o interesse cada vez maior por receitas mais sustentáveis nas rações. “Além de aumentar o rendimento nutritivo, a adição nas rações de probióticos, leveduras e gorduras insaturadas, entre outros elementos químicos, pode reduzir em até 30% a emissão de metano, valorizando a carne brasileira pelos importadores e ajudando o Brasil a cumprir a meta de contenção dos gases de efeito estufa”, diz. No caso da avicultura, a ração enriquecida com produtos químicos tem sido determinante também no grande ganho de peso de frangos e galinhas.
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Assim como a qualidade das rações, os cuidados veterinários preventivos têm uma relação direta com a emissão de gases nocivos pelos rebanhos, afirma Emilio Salani, vice-presidente-executivo do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan). “Estudos internacionais apontam que doenças nos rebanhos aumentam em até 113% as emissões na pecuária de corte e em até 24% no gado para produção de leite”, cita Salani, com base em pesquisa da consultoria Oxford Analytica em parceria com a Health for Animals, entidade global de fabricantes de produtos veterinários. O mesmo estudo indica que, ao atingir 20% de um rebanho, uma doença bovina qualquer é capaz de aumentar entre 42% e 60% a emissão de gases de efeito estufa dentro desse grupo de animais.
Fundamental na prevenção de doenças, a vacinação animal apresenta novidades a cada ano, com o desenvolvimento de fórmulas bivalentes e multivalentes, processos de imunização menos invasivos – como o de injeção sem agulha – e reconhecimento de territórios livres de determinadas doenças. No último mês de maio, por exemplo, o Brasil finalmente se livrou da ameaça de uma doença que sempre atormentou os criadores de gado no país: a febre aftosa. “A vacinação contra a aftosa foi oficialmente suspensa em todo o país. Resta agora vigiar as fronteiras para evitar o surgimento de algum caso novo”, afirma Salani.
No caso dos bovinos, segue obrigatória a vacinação contra a brucelose e a raiva (apenas em áreas específicas, ainda endêmicas), mas é recomendável também a imunização contra o carbúnculo e as clostridioses. A erradicação da aftosa, que até uma década atrás parecia distante, hoje é dada como irreversível, a ponto de a Merck, Sharp & Dohme (MSD), líder no mercado brasileiro de produtos veterinários, ter desativado a produção da vacina contra essa enfermidade em suas três plantas no país. “Além de continuar produzindo as demais vacinas para animais de pequeno ou de grande porte, estamos acelerando o fornecimento de produtos tecnológicos, como os brincos e colares eletrônicos para o monitoramento de rebanhos”, informa Delair Bolis, presidente da divisão de produtos animais da MSD.
Segundo o executivo, o investimento em produtos eletrônicos passou a crescer com a aquisição pela multinacional da startup israelense Allflex, em 2019, que desenvolveu o método. “Esses artefatos, dotados de sensores, são importantes no acompanhamento de bezerras até um ano de idade, pois registram em detalhes a rotina delas e a predisposição a doenças respiratórias e digestivas, permitindo que sejam tratadas entre três e cinco dias após o surgimento da enfermidade. Sem esse aviso eletrônico, a doença só seria percebida mais de uma semana depois de instalada”, explica Bolis. Ele revela que em 2023 havia 30 mil reses monitoradas com esse processo no Brasil, número que espera ver quadruplicado até o fim deste ano. O monitoramento viabiliza ainda a efetividade de cercas virtuais, sistema que substitui as barreiras de arame farpado pelos sinais sonoros que desestimulam as reses de se afastarem das áreas determinadas para a sua alimentação.
A maior novidade mercadológica para os produtores de rações e produtos veterinários nos últimos anos não vem, contudo, da criação de ruminantes, mas dos pequenos animais de estimação criados dentro de casa – os pets. “Os bovinos continuam sendo responsáveis pela maior parte do nosso faturamento, com cerca de 49% do total. Mas os nutrientes e medicamentos para cães e gatos, que até 15 anos atrás representavam cerca de 10% de nossas vendas, hoje já respondem por 26% do total. É o segundo maior mercado do setor de saúde animal”, revela Bolis.
Recente pesquisa da Quaest sobre o mercado pet corrobora esse crescimento. O levantamento, que entrevistou 1.001 pessoas entre 17 e 20 de junho passado, mostrou que 72% dos brasileiros vivem com pets em casa, pois esses animais trazem felicidade aos seus tutores (segundo 98% das respostas múltiplas), além de apoio emocional (96%) e segurança (95%). O Brasil já é o terceiro maior mercado pet do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos e da China.
Fonte: Valor Econômico