Profissional agora ocupa o cargo de diretor-médico do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS)
PorMarcos de Moura
Valor — São Paulo
04/03/2024 08h00 Atualizado há uma horaPresentear matéria
O médico-cirurgião Paulo Chapchap, que durante quase 20 anos esteve na direção do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, assumiu um novo posto, dessa vez no terceiro setor.
Ele agora ocupa o cargo de diretor-médico do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS). O IEPS é um think tank fundado pelo economista e ex-presidente do Banco Central Arminio Fraga e que completará cinco anos no segundo semestre.
Seus pesquisadores e especialistas têm contribuído para o desenvolvimento de políticas públicas em parceria com secretarias de Saúde de Estados e municípios.
Chapchap, de 68 anos, assumiu o posto na sexta-feira (1º) com tarefas complexas.
Uma delas é tentar encontrar fórmulas para melhorar a situação em regiões do país com pouquíssimos profissionais de saúde e grandes distâncias.
“Uma das minhas prioridades é como vamos atender, com uso de tecnologia, os grandes vazios assistenciais que o Brasil tem, particularmente na região amazônica. Não adianta só ter boa intenção. Lá as distâncias são grandes e a densidade de profissionais de saúde é baixíssima”, disse o médico cirurgião ao Valor.
Ele lembra que esses vazios assistenciais não são exclusividade da Amazônia e que bairros periféricos de grandes cidades muitas vezes também sofrem com falta crônica de assistência.
Melhorar esse quadro envolve o uso de tecnologia de comunicação e também por novas abordagens na gestão pública.
“Uma das coisas que me movem é diminuir a diferença de expectativa de vida entre regiões do país, diminuir a desigualdade em termos de saúde. E com políticas públicas você consegue. Não é uma questão sempre de recursos. Às vezes é a forma de fazer com o mesmo dinheiro. A gente pode fazer mais com o dinheiro que já tem”, afirma o médico.
Chapchap, que até então fazia parte do conselho do IEPS, chega à diretoria também com a meta de tentar impulsionar a educação da população para a saúde, para o autocuidado.
A ideia é ajudar no desenvolvimento de políticas que deem mais ênfase, no conteúdo das escolas, sobre alimentação, exercícios, sobre gravidez na adolescência, vacinação, distância de drogas.
“Se a gente conseguir introduzir ensinamentos de auto-cuidado para as crianças, a gente muda a realidade da saúde em duas gerações.”
Em estágios distintos de implementação, o IEPS – que é uma organização não governamental – tem parcerias com Estados e municípios, entre eles com os governos do Ceará, Pernambuco, Rio de Janeiro, São Paulo e com a prefeitura do Recife.
“Buscamos soluções que possam ser escaladas”, diz Arminio, que define a chegada de Paulo Chapchap à diretoria como salto para o IEPS. “Ele é um líder importante na área médica e acumulou também muita experiência em gestão. Tem ideias ousadas e viáveis.”
Ainda que boa parte de seu trabalho esteja relacionada com políticas públicas, Chapchap se coloca outro espinhoso desafio ao assumir a diretoria médica do IEPS: tentar ajudar o sistema de saúde suplementar a se tornar mais sustentável a ajudar na mediação entre esses atores.
É o setor que congrega operadoras de planos de saúde, fornecedores de medicamentos, de equipamentos médicos e prestadores de serviços médicos.
Cerca de 25% dos brasileiros dependem parcialmente da saúde privada.
“Esse sistema está com muita dificuldade de encontrar seu equilíbrio porque os custos aumentaram muito. A sinistralidade aumentou muito. Aumentou a utilização do sistema por causa do envelhecimento populacional”, diz o novo diretor do IEPS.
“Como médico que já dirigiu prestadores, posso com base em dados descobrir modelos e fazer essa mediação”, diz ele.
Chapchap deixou a direção do Sírio-Libanês em 2021. Continua atuando como médico-cirurgião no hospital. Continua também como presidente do conselho de outra instituição, o Todos pela Saúde.
Ele afirma que encara com muito entusiasmo o novo papel que assumiu no IEPS. “Quando você chega a um certo ponto da carreira, o propósito adquire um significado muito maior do que qualquer outro tipo de compensação. Fazer coisas que tenham relevância para sociedade como um todo começa a adquirir uma importância muito grande.”
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Fonte: Valor Econômico