O secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, disse nesta terça-feira (10) que as negociações comerciais com a China estavam indo bem, enquanto os dois lados se reuniam para um segundo dia de conversas em Londres, buscando um avanço nos controles de exportação que ameaçam uma nova ruptura entre as superpotências.
Autoridades americanas e chinesas estão tentando voltar aos trilhos depois que Washington acusou Pequim de bloquear as exportações de minerais de terras raras que são essenciais para sua economia, tensionando os laços após o acordo preliminar firmado em Genebra no mês passado para recuar de um embargo comercial total.
O assessor econômico da Casa Branca, Kevin Hassett, disse na segunda-feira que os EUA estavam prontos para concordar em suspender os controles de exportação de alguns semicondutores em troca da China acelerar a entrega de terras raras.
“As negociações estão indo bem e estamos passando muito tempo juntos”, disse Lutnick. As conversas duraram quase sete horas na segunda-feira e foram retomadas na manhã desta terça-feira.
A segunda rodada de negociações entre EUA e China, que se seguiu a um raro telefonema entre Trump e o presidente chinês Xi Jinping na semana passada, ocorre em um momento crucial para ambas as economias. Dados alfandegários publicados na segunda-feira mostraram que as exportações da China para os EUA caíram 34,5% em maio, a maior queda desde o início da pandemia de covid-19.
As negociações são lideradas por Lutnick, pelo Secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent e pelo Representante Comercial dos EUA, Jamieson Greer, com o lado chinês liderado pelo vice-premiê He Lifeng.
A inclusão de Lutnick, cuja agência supervisiona os controles de exportação para os EUA, é uma indicação de que a questão das terras raras se tornou central. Ele não compareceu às negociações de Genebra, quando os países fecharam um acordo de 90 dias para reverter algumas das tarifas de três dígitos que haviam imposto um ao outro.
A China detém um quase monopólio sobre minerais de terras raras, um componente crucial em motores de veículos elétricos, e sua decisão, em abril, de suspender as exportações de uma ampla gama de minerais essenciais perturbou as cadeias de suprimentos globais e gerou alarme em salas de reuniões e fábricas em todo o mundo.
Kelly Ann Shaw, ex-assessora comercial da Casa Branca durante o primeiro mandato de Trump e agora sócia comercial do escritório de advocacia Akin Gump, em Washington, disse esperar que a China reafirme seu compromisso de suspender medidas retaliatórias, incluindo restrições à exportação, “além de algumas concessões por parte dos EUA, em relação às medidas de controle de exportação nas últimas duas semanas”.
Mas Shaw disse esperar que os EUA concordem apenas em suspender algumas novas restrições à exportação, não aquelas de longa data, como as de chips avançados de inteligência artificial. Em maio, os EUA ordenaram a suspensão das remessas de softwares e produtos químicos para design de semicondutores e equipamentos de aviação, revogando licenças de exportação emitidas anteriormente.
Fonte: Valor Econômico


