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A biofarmacêutica brasileira Biomm é uma das empresas com pedido de registro protocolado junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Segundo Guilherme Maradei, presidente da empresa, a expectativa é que o pleito seja analisado o mais rápido possível, já que a agência reguladora anunciou prioridade na análise do registro de medicamentos com o princípio ativo.
“Estamos trabalhando para deixar tudo pronto, assim que tivermos todas as aprovações necessárias, para lançar o nosso produto, seja neste ano ou no próximo”, afirma Maradei. “Certamente, vamos trazer um preço mais competitivo para ampliar o acesso da população a essa classe de medicamentos”, complementa o presidente da Biomm.
Questionado sobre investimentos que miram a entrada nesse mercado de semaglutida, Maradei cita aporte de R$ 800 milhões na unidade de Nova Lima, em Minas Gerais, inaugurada em 2024 e hoje ocupada com a produção de insulina. “Hoje, essa é uma fábrica com tecnologia para produção e envase de medicamentos estéreis injetáveis, que é exatamente a categoria dos produtos de GLP-1”, afirma.
Segundo ele, investimentos adicionais para preparar a entrada no mercado de semaglutida também têm sido feitos, “mas o total depende muito do momento e da extensão da aprovação.” A empresa não informou de quanto se tratam os recursos.
Outra farmacêutica com pedido protocolado na Anvisa é a EMS. A empresa afirma que se prepara há anos para ingressar no segmento e já inaugurou, em 2024, no município de Hortolândia (SP), fábrica dedicada a medicamentos do tipo, desenvolvida inicialmente para produzir liraglutida e semaglutida.
Em nota, o vice-presidente da EMS, Marcus Sanches, diz que a farmacêutica já anunciou mais de R$ 1 bilhão em investimentos na unidade e na sua plataforma de peptídeos, como são chamados medicamentos do tipo. “[Reservamos recursos] relevantes voltados à produção de peptídeos, categoria que inclui a semaglutida, como parte de uma estratégia de longo prazo para internalizar tecnologias complexas e reduzir a dependência de importações.”
Sanches afirma que a empresa está otimista com o pedido feito à Anvisa. “A EMS tem avançado nas etapas necessárias dentro das regras vigentes”, acrescenta, na nota.
A reportagem também entrou em contato com HyperaCotação de Hypera, Aché e Cimed para questionar planos de entrada em Semaglutida. As farmacêuticas não se manifestaram.
Segundo a Eurofarma, o acordo anunciado com a Novo Nordisk em 2025 para comercializar as canetas Poviztra e a Extensior quer fortalecer a distribuição e a promoção da semaglutida no país, com distribuição em regiões antes não atendidas. A dinamarquesa continua responsável pelo desenvolvimento e fornecimento dos produtos, enquanto a brasileira fica com a promoção e distribuição.
“As marcas comercializadas pela Eurofarma utilizam a mesma semaglutida biológica dos produtos Ozempic e Wegovy”, afirma, em comunicado. Para a farmacêutica, medicamentos que virão de pedidos feitos à Anvisa serão cópias “não idênticas” do produto.
A Eurofarma não informa, contudo, como é dividido o faturamento da venda das duas novas canetas. “Há uma expectativa do crescimento dessas marcas e da molécula semaglutida como um todo no país.”
Segundo Marcio Correa Mancini, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia Regional São Paulo (SBEM-SP), a semaglutida da Novo Nordisk é um recombinante produzido por leveduras modificadas, diferente da semaglutida genérica, que provavelmente será sintética produzida quimicamente.
“Se vai ser rápido ou demorado [o processo da fabricação de genéricos], não sei. Mas imagino que o processo de fabricação sintético seja até mais simples do que o processo recombinante.”
Fonte: Valor Econômico