O mercado avançou nos últimos anos, mas tem sido afetado por questões macroeconômicas. A volatilidade, no entanto, tem feito investidores estrangeiros irem para mercados emergentes, favorecendo o Brasil. A visão, inclusive, é que esse fluxo dite o ritmo da abertura de janela para ofertas públicas iniciais (IPOs) na B3.
Durante painel no MBKR 26, executivos ressaltaram a evolução do mercado, que saiu de menos de um milhão de CPFs em 2018 na bolsa para mais de 5,5 milhões de pessoas físicas investindo na Bolsa.
Um dos pivôs do movimento foi a incorporação de diversos agentes e o avanço regulatório, citados por Carlos André, presidente da Anbima, como o marco regulatório dos fundos, cujas mudanças estão no processo de incorporação, e desenvolvimentos absorvidos pelo mercado, como no crédito privado, a evolução de temas como concentração de emissores e questões de liquidez.
“Tivemos crises corporativas bastante importantes nas quais o mercado funcionou super bem, então, sem dúvida nenhuma, tem muito para celebrar e ter convicção de que estamos no caminho certo”, diz André.
Durante o painel, os executivos citaram o sucesso do crédito privado, que se tornou o “queridinho dos investidores” nos últimos dois anos, mencionando que além do juro, o que o mercado precisa é estar funcional para isso.
Na pática, é preciso ter um mercado secundário com atividade, com liquidez e transparência de preço para trazer novas emissões com convicção e encontrar a demanda desejada.
“Tem havido novos produtos, novos formatos de crédito privado para, de alguma maneira, atender o que o cliente deseja. Vejo um futuro muito construtivo para essa indústria. Acredito que o acesso para as pequenas e médias empresas tende a ser mais concentrado em crédito privado”, diz Gilson Finkelsztain, presidente da B3.
Mercado de dívida na B3
Em sua análise, é preciso haver condições equilibradas entre emissores e investidores, mas sua posição é de otimismo com esse mercado. Para ele, nos próximos ciclos, o investidor deve seguir majoritariamente na renda fixa.
“Agora temos um mercado normal, o que era anormal era não ter empresa emitindo dívida. Agora precisamos corrigir a dívida real, mas é muito positivo ter um mercado de DCM, um mercado de capitais local de dívida”, diz.
Na visão do presidente da B3, o estrangeiro está sustentando a bolsa e dando menos importância para a transição política, e desde que as condições se mantenham, o movimento deve persistir. A percepção é de que o risco está concentrado demais em alguns países.
“Com isso, acredito que a janela de IPO pode reabrir. Tem mais de 50 empresas preparadas com registro para vir ao mercado. São empresas grandes, de setores que seguem fazendo investimentos, que normalmente têm uma maturidade de resiliência de negócio”, diz o presidente da B3.
Para Finkelsztain, a abertura de oportunidade para IPO deve ser ditada por esse fluxo estrangeiro. “Sigo otimista”.
Os executivos mencionaram o cenário de incerteza, diante de conflitos externos, e a inversão dos movimentos no mercado, mas com pontos positivos, como a entrada de estrangeiros no Brasil. Apesar da volatilidade, o cenário é de otimismo, mas realista.
Fonte: Capital Aberto