Por Ricardo Bomfim — De São Paulo
04/12/2023 05h03 Atualizado há uma hora
O Itaú começa a permitir a partir de hoje que seus clientes negociem criptomoedas por meio da plataforma de investimentos íon. O maior banco privado do país é o primeiro dos mais tradicionais a entrar no mundo da compra e venda de moedas digitais como o bitcoin. Outras instituições financeiras grandes, porém não tão antigas, como o Nubank e o BTG Pactual, já oferecem esse tipo de produto a seus clientes. A XP saiu recentemente deste mercado ao descontinuar a plataforma de negociação de criptomoedas Xtage.
Inicialmente, as únicas moedas digitais que poderão ser compradas e vendidas pelos clientes na plataforma do Itaú são bitcoin e ether (a criptomoeda nativa da rede Ethereum). Os dois “tokens” são respectivamente o primeiro e o segundo de maior valor de mercado do mundo. A liberação aos clientes será escalonada, de modo que nem todos terão acesso a esse tipo de ativo hoje.
Segundo Guto Antunes, chefe da Itaú Digital Assets, a liberação aos clientes cadastrados no íon será gradativa. “Essa gradualidade depende da clareza regulatória. Não entramos em detalhe sobre os processos de escolha [para os primeiros clientes que terão acesso à novidade] por ser uma questão estratégica”, afirma.
Atualmente, o mercado de criptomoedas brasileiro aguarda com bastante ansiedade que o Banco Central traga uma regulamentação no detalhe de como empresas brasileiras podem operar criptoativos no país. O Marco Legal dos Criptoativos, sancionado no final do ano passado, foi complementado este ano por um decreto que definiu o BC como o responsável por monitorar o setor.
Os criptoativos negociados no íon serão custodiados pelo próprio Itaú, que garante que fará a segregação patrimonial dos ativos, apesar de não liberar o acesso às chaves privadas das carteiras de criptomoedas aos usuários da plataforma. “No primeiro momento não vamos disponibilizar ‘wallet in’ [entrada de criptomoedas adquiridas externamente na conta do Itaú] e ‘wallet out’ [saque dessas criptomoedas para carteiras digitais próprias do cliente]. O mais importante é que assim como quando você deixa seu dinheiro na conta do banco terá a garantia do balanço do Itaú como segurança dos valores investidos”, destaca.
No futuro, Antunes afirma que pode ser avaliada a possibilidade de abrir a negociação de outros tokens além de bitcoin e ether, mas diz que no momento atual o foco é atrair o cliente novo às oportunidades de ganhos que existem com criptomoedas. “Estamos em uma geração que cresce e se bancariza de maneira tokenizada. Uma parte dos mais de US$ 1 trilhão que estão alocados em criptoativos hoje são de pessoas que estão se bancarizando. Queremos ajudar a trazer segurança para esse mercado.”
Antunes lembra que o íon e o Itaú Personalité já falaram bastante sobre criptomoedas para seus clientes, de modo que o novo passo estaria em consonância com o objetivo de ganhar tração com segurança e associado à educação financeira do consumidor.
“Estudamos os dados do nosso cliente e sabemos que ele procurava principalmente esses dois criptoativos para investir”, aponta o executivo. “Em vez de lançar uma solução e depois correr atrás desses aspectos, nós nos envolvemos muito na agenda regulatória para explicar esse comportamento da base de clientes”, acrescenta, lembrando que o Itaú é uma das instituições financeiras envolvidas no piloto do Drex.
Fonte: Valor Econômico


