Por Stephen Kalin, Dow Jones — Nova York
06/07/2023 15h00 Atualizado há 20 horas
Israel bombardeou uma vila no sul do Líbano nesta quinta-feira depois que explosões foram registradas em uma área de fronteira disputada entre os países. O ataque aumenta os temores de uma escalada de violência em diversas frentes entre as forças israelenses e militantes palestinos no Líbano, Síria e Gaza.
As tensões na região estão altas depois que Israel conduziu uma operação militar de dois dias na Cisjordânia no início desta semana, que matou 12 palestinos e um soldado israelense. O ataque ao campo de refugiados de Jenin, que envolveu ofensiva de drones e veículos pesados, marcou a abordagem israelense mais agressiva na Cisjordânia desde o início da escalada de violência no ano passado. Ao confiscar armas e prender suspeitos de terrorismo na operação, os militares israelenses disseram que as ações visam facilitar novas operações em Jenin no futuro.
Analistas dizem que as forças de segurança agora precisam estar alertas para ataques em outros lugares dentro de Israel ou de fora das fronteiras por grupos militantes apoiados pelo Irã, como o Hezbollah, o Hamas e a Jihad Islâmica.
As chances de escalada são maiores do que antes, mas é difícil prever quando isso pode acontecer, disse Mairav Zonszein, analista sênior do conflito Israel-Palestina no International Crisis Group.
“A ofensiva em diversos fronts deve continuar e Israel é limitado no que pode fazer”, disse ela. “Israel realmente não tem uma estratégia eficaz para lidar com muitas dessas ameaças.”
Nesta semana houve um ataque com carro e esfaqueamento em Tel Aviv, dois tiroteios em assentamentos judeus no norte da Cisjordânia, foguetes disparados da Faixa de Gaza em direção a Israel e um aparente ataque transfronteiriço do sul do Líbano. Pelo menos sete civis ficaram feridos.
Na quinta-feira, as Forças de Defesa de Israel disseram ter alvejado uma área próxima à cidade de Ghajar, onde determinaram o lançamento de um ataque em território israelense que as forças de paz das Nações Unidas disseram parecer consistente com o lançamento de um foguete. Não houve vítimas relatadas.
A fronteira com o Líbano vivenciou uma explosão incomum de violência em abril, quando Israel realizou ataques aéreos contra grupos militantes palestinos.
No final de semana passado, Israel realizou ataques aéreos perto da cidade síria de Homs depois que um míssil antiaéreo explodiu sobre o território israelense.
O conflito israelense-palestino está passando por um dos períodos mais sangrentos em anos, ocorrendo em meio a um aparente aumento na guerra paralela de Israel com o Irã. A República Islâmica apoia o grupo militante Hezbollah, que tem forte presença no sul do Líbano, assim como o Hamas e a Jihad Islâmica, historicamente ativos em Gaza, mas que recentemente construíram extensas redes de apoio na Cisjordânia.
Desde o início de 2023, mais de 150 palestinos – a maioria militantes, mas também crianças e civis idosos – foram mortos por forças israelenses e civis na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental, segundo autoridades palestinas e israelenses. Mais de 20 israelenses e estrangeiros, quase todos civis, foram mortos por palestinos, de acordo com um levantamento do “The Wall Street Journal”.
As ameaças ocorrem em um momento em que Israel enfrenta turbulências internas devido às propostas do governo de exercer mais controle político sobre o judiciário e a contínua expansão dos assentamentos judaicos na Cisjordânia. Dezenas de reservistas militares disseram que não se apresentariam para o serviço caso a reforma do judiciário fosse aprovada, enquanto a intensificação de novos assentamentos desloca mais palestinos, que estão cada vez mais se voltando para atos individuais de violência fora da estrutura de grupos organizados.
Fonte: Valor Econômico


