O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acelerou para 0,88% em março, após alta de 0,70% em fevereiro, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira.
A taxa é a maior para o mês de março desde 2022 (1,62%) e ficou acima do teto das projeções de 32 instituições financeiras e consultorias, ouvidas pelo Valor Data. A estimativa mediana era de 0,76%, com intervalo entre 0,47% a 0,82%.
Em março, os destaques foram os grupos Transportes, com alta de 1,64% e 0,34 ponto percentual de impacto, e Alimentação e bebidas, que subiram 1,56%, com impacto de 0,33 ponto no índice do mês. Juntos, os dois grupos respondem por 76% do IPCA de março, conforme o IBGE.
A inflação medida pelo IPCA subiu 1,92% nos três primeiros meses de 2026. No resultado acumulado em 12 meses até março, o IPCA subiu 4,14%, ante 3,81% até fevereiro. Pela mediana das projeções do Valor Data, a taxa esperada era de 4,01%. As estimativas variavam entre 3,72% e 4,08%.
O resultado dos 12 meses até março ainda ficou abaixo do teto da meta inflacionária estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e perseguida pelo Banco Central (BC). A meta de inflação é de 3%, com margem de 1,5 ponto percentual para cima e para baixo.
Pelos novos parâmetros, da meta contínua de inflação, o IPCA ultrapassa o alvo se a inflação em 12 meses permanecer acima de 4,5% por seis leituras seguidas.
O IBGE calcula a inflação oficial brasileira com base na cesta de consumo das famílias com rendimento de um a 40 salários mínimos, abrangendo dez regiões metropolitanas, além das cidades de Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís, Aracaju e Brasília.
A inflação se espalhou mais pelos itens que compõem o IPCA em março. O Índice de Difusão, que mede a proporção de bens e serviços que tiveram aumento de preços num período, passou de 61,3% em fevereiro para 67,4% um mês depois, segundo cálculos do Valor Data considerando todos os itens da cesta.
Sem alimentos, um dos grupos considerados mais voláteis, o indicador recuou de 66% para 65,6%.
Fonte: Valor Econômico