4 May 2023 BEATRIZ BERGAMIN A. CAPIRAZI JESSICA BRASIL SKROCH
Apesar da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter a Selic em 13,75% ao ano, a maioria dos analistas consultados pelo Estadão indica que um primeiro corte de 0,25 ponto na taxa deve ocorrer em agosto, como consequência de uma possível mudança na meta de inflação para 2023 em junho pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Para os analistas, é provável que a Selic termine o ano entre 12% e 12,75%.
Com a redução do juro em vista, a renda fixa perde atratividade, e os ativos de risco tendem a ser opções que voltam para o radar do investidor, considerando que ações de peso do Ibovespa estão com preços descontados.
Os especialistas ponderam que, antes de investir em um ativo, é preciso reconhecer o perfil de investidor e diversificar o portfólio. “O investidor deve acompanhar os ‘ventos do mercado’ e fazer ajustes quando necessário”, diz Lucas Eduardo Tereska, assessor e líder de SDR da Manchester Investimentos.
Para Jason Vieira, economista-chefe da Infinity Asset Management, a tramitação do arcabouço fiscal é o “fator-chave” para a queda dos juros. “Caso o projeto aprovado não vá de acordo com as projeções do mercado, a expectativa é de que os cortes sejam mais lentos”, afirma Vieira, sem descartar um adiamento do corte previsto para agosto.
RENDA FIXA. Com a Selic mantida em 13,75%, renda fixa continua uma boa aposta. Um exemplo são os títulos públicos do Tesouro Direto, afirma o gerente de portfólio de alocação da Principal Claritas, Rodrigo Cabraitz. Para ele, o mais recomendável no momento são os com vencimento de até cinco anos.
Segundo Rachel de Sá, chefe de economia da Rico Investimentos, os pós-fixados são interessantes mesmo em uma eventual queda, mas a compra de prefixados está em um momento favorável, porém exige mais cautela devido às instabilidades políticas.
Com a perspectiva de queda da Selic nos próximos semestres, ativos atrelados ao CDI vão passar a pagar menos. “Considerando essa curva de juros, IPCA+ ou prefixados de longo prazo tendem a se valorizar”, diz Tereska.
Além disso, há oportunidades interessantes em ativos de crédito privado, indica Lucas Serra, analista da Toro Investimentos. “Com a crise de crédito desencadeada pelos eventos com a Americanas e, posteriormente, com a Light, observamos que ativos com ratings bons passaram a ser negociados com prêmios interessantes.” São títulos que, em geral, apresentam fluxos recorrentes de pagamento de juros e amortização, e o investidor pessoa física pode se beneficiar da isenção do Imposto de Renda.
Outra boa opção para o momento são os fundos de investimento em renda fixa internacional, afirma Rachel, da Rico. A estratégia é uma forma de se expor a uma moeda forte, como o dólar e o euro, sem precisar recorrer a uma corretora estrangeira e lidar com toda a burocracia.
Entre os principais produtos da renda fixa, o CDB 110% é o que mais se destaca com rentabilidade real positiva, isto é, tem o maior retorno descontada a inflação, segundo cálculos do professor de Finanças da Fundação Getulio Vargas Fabio Gallo (ver quadro). Em segundo lugar, estão as LCAs e as LCIs 85%.
RENDA VARIÁVEL. Já a renda variável divide analistas. Alguns apontam que, em meio a tanta incerteza em relação à política fiscal, é difícil vislumbrá-la como opção. Outros destacam que os investidores moderados e arrojados devem pensar em incluir risco em seus portfólios visando à diversificação.
Os especialistas são unânimes ao afirmar que uma possível retomada da atratividade da Bolsa tem relação direta com a parte fiscal e o controle de despesas do governo federal. •
Dever de casa Especialistas ouvidos são unânimes ao dizer que a Bolsa depende do controle de gastos pelo governo
Fonte: O Estado de S. Paulo


