Por Bloomberg
06/07/2023 12h55 Atualizado há 22 horas
Os principais líderes da China provavelmente vão adiar a divulgação de estímulos agressivos ou grandes reformas econômicas em uma reunião importante prevista para o final deste mês, enquanto continuam avaliando suas opções, segundo investidores chineses locais que conversaram com economistas do Goldman Sachs nos últimos dias.
Esses clientes incluíam gestores de ativos em seguradoras, fundos mútuos e fundos de private equity, escreveram os economistas em nota de pesquisa na quarta-feira.
“Os clientes locais não esperam que grandes medidas de afrouxamento das políticas ou que medidas de reforma estrutural sejam implementadas na reunião do Politburo de julho”, escreveram no relatório economistas do Goldman, entre eles Maggie Wei, em referência à esperada reunião das 24 principais autoridades do Partido Comunista, incluindo o presidente Xi Jinping.
As reformas estruturais — que poderiam resolver problemas no mercado imobiliário ou os desafios de financiamento dos governos locais — “não serão anunciadas em breve, pois autoridades onshore ainda parecem estar explorando diferentes opções de políticas”, escreveram os economistas.
A reunião do Politburo em julho tradicionalmente define o tom da política econômica para o segundo semestre. A deste mês será observada de perto por investidores em busca de pistas sobre se o governo de Pequim tomará medidas fortes para impulsionar o crescimento.
A recuperação econômica perde força em meio à nova desaceleração no mercado imobiliário, ao profundo endividamento dos governos locais, ao desemprego juvenil recorde, à baixa confiança das famílias e das empresas, bem como às tensões geopolíticas.
A visita à China da secretária do Tesouro dos Estados Unidos, Janet Yellen, foi um dos assuntos mais questionados pelos investidores locais, segundo analistas do Goldman. Esses clientes também buscavam informações sobre o potencial de crescimento de longo prazo da China, as perspectivas para o mercado imobiliário e as relações do país asiático com os EUA.
Investidores da China continental ainda esperam que a economia do país se expanda “ligeiramente acima de 5%” este ano, escreveram os analistas do Goldman. Essa taxa está mais ou menos alinhada com a meta oficial do governo chinês de “cerca de 5%”, anunciada em março.
Muitos clientes locais esperam que o crescimento sequencial da atividade tenha atingido o ponto mais baixo no segundo trimestre e que provavelmente aumente no segundo semestre, acrescentaram os analistas do Goldman. Uma estabilização do estoque, uma recuperação gradual, mas contínua, do consumo, possível resiliência das exportações e mais apoio fiscal de Pequim foram citados como razões para esse otimismo.
No entanto, a falta de impulsionadores de crescimento mantém investidores cautelosos sobre o cenário econômico do país no longo prazo, acrescentaram os analistas do Goldman.
Fonte: Valor Econômico


