Os fundos hedge estão recorrendo cada vez mais aos mercados privados para impulsionar os retornos — indo muito além de nomes já conhecidos como Tiger Global e D1 Capital, que há muito operam nesse setor.
Um novo relatório de pesquisa do prime broker IG Prime, divulgado na segunda-feira, mostra que 70% dos fundos hedge estão agora investindo em private equity, crédito privado e imóveis. Isso representa uma mudança estratégica notável. Em 2018, por exemplo, a publicação Hedge Fund Spotlight da Preqin mal registrava atividade de fundos hedge nos mercados privados, refletindo o foco tradicional do setor em ações, fundos multiestratégia e crédito.
Essa mudança também coloca os fundos hedge em concorrência direta com firmas de private equity por negócios e investidores. Segundo a IG Prime, essa guinada é amplamente impulsionada pela demanda dos investidores por retornos mais fortes após anos de desempenho abaixo do esperado.
Em 2024, a Institutional Investor informou que os alocadores estavam perdendo o interesse nos fundos hedge devido à sua falha em oferecer proteção contra a inflação. Embora alguns mencionassem os benefícios da diversificação, apenas 18% dos grandes endowments e 7% dos fundos de pensão públicos tinham alocações em hedge funds. Apesar de investidores e gestores esperarem uma recuperação dessas alocações em 2025, houve pouca melhora até agora.
Mas há uma grande ressalva ao analisar o desempenho. A maioria dos fundos hedge com mais de US$ 1 bilhão em ativos não compartilha seus dados com os bancos de dados comerciais. Sem esses fundos, o desempenho dos hedge funds parece desanimador. Quando esses fundos são incluídos no conjunto de dados, o desempenho médio sobe mais de dois pontos percentuais. Esforços estão em andamento para corrigir esse problema, mas a maioria dos investidores ainda desconhece essa distorção.
Ainda assim, os dados da IG Prime sugerem que os fundos hedge estão suficientemente desconfortáveis com a dinâmica atual do mercado a ponto de se voltarem para novos mercados — mesmo que isso não resolva o problema fundamental. Segundo o relatório, 61% dos fundos hedge agora investem em private equity, 45% em imóveis privados, 39% em crédito privado e 38% em infraestrutura. Um mercado público encolhendo — com menos IPOs e mais empresas sendo fechadas de capital — está acelerando essa tendência.
O crescimento dos fundos hedge levou a um acúmulo de operações que antes funcionavam bem, afirmou Chris Beauchamp, principal analista de mercado da IG Prime. Algumas dessas oportunidades foram, possivelmente, eliminadas por arbitragem, levando os fundos a buscar novas formas de superar o mercado. Muitos agora estão voltando-se aos mercados privados como solução, mas isso traz incertezas.
“Existe a questão de quão adaptável é o estilo de investimento de curto prazo da maioria dos fundos hedge aos horizontes de investimento de longo prazo do private equity e da infraestrutura”, disse ele. “Alguns fundos hedge também teriam que aumentar sua capacidade operacional se quiserem igualar o tamanho das equipes que os fundos de private equity alocam para gerenciar cada investimento individual.”
Fonte: Institutional Investor


